“A ADRA começou a afirmar-se na sociedade como um projecto de cidadania”

A Acção para o desenvolvimento rural e Ambiente(ADRA), uma organização-não governamental angolana, completa 30 anos desde a sua fundação. Tendo em conta o trabalho que vem desenvolvendo, o PAÍS entrevistou o seu director, Carlos Cambuta, que fez um balanço destes anos todos e os projectos para o futuro

Este ano a ADRA completa 30 anos de existência, quais foram os principais contributos que a Organização deu ao país até ao momento?

A ADRA surgiu em 1990 e, a partir da implementação dos primeiros projectos de terreno, começou a afirmar-se na sociedade como um projecto de cidadania; um mecanismo apartidário, independente e sem fins lucrativos com o objectivo de reforçar as capacidades das comunidades rurais e dos indivíduos para que eles próprios sejam capazes de responderem às suas necessidades sentidas e, consequentemente, serem autores do seu próprio desenvolvimento. Ao celebrarmos os 30 anos de funcionamento ininterrupto da Organização, é com satisfação que notámos membros de comunidades como partícipes do desenvolvimento sustentável. Os membros das comunidades rurais, maioritariamente constituídos em associações e cooperativas agropecuárias, integram os Conselhos de Auscultação das Comunidades, pensam e dinamizam iniciativas económicas locais, estabelecem acordos de parcerias com instituições públicas e privadas, trocam experiências e apoiam associações e cooperativas agropecuárias de outras localidades do país, enfim, entendem que o caminho para o bem-estar económico e social depende da sua visão e do seu engajamento nos mais variados processos de desenvolvimento, tentando que o Executivo seja apenas um facilitador desse processo mediante a garantia dos direitos e deveres consagrados na actual Constituição da República.

A Organização trabalha directamente com as comunidades. Nesta fase pandémica, qual tem sido o impacto da Covid-19 nessas localidades?

Obviamente, o impacto é negativo. Vou referir-me em alguns sectores- chave. A nível da educação, as aulas estão paralisadas e muitas crianças não têm acesso às teleaulas, devido à falta de aparelhos ou de energia eléctrica, sobretudo nas comunidades rurais. A nível da saúde, muitas famílias referem que a covid-19 levou o Executivo a esquecer que existem outras doenças de tal modo que os pouquíssimos centros médicos públicos só passam receitas e nunca têm medicamentos, incluindo os medicamentos essenciais. A nível da protecção social, as famílias questionam critérios que estão na base da selecção de aldeias ou bairros para a implementação de políticas de assistência social.

A nível económico, os agricultores familiares têm-se queixado de dificuldades de escoar os produtos, não só devido ao velho problema de más estradas, mas também de controlos excessivos que se verificam nas estradas interprovinciais e a subida da tarifa de táxi de Kz.3.000,00 para Kz 6.000,00, para ida e volta, por exemplo, no troço Ganda – Benguela. Com a subida do táxi, também se verifica subida de outros preços, principalmente de produtos industriais, incluindo fertilizantes. Em contrapartida, constata-se uma maior procura de produtos agrícolas nacionais. O contacto directo que mantemos com os agricultores familiares permite-nos saber que, desde o surgimento da covid-19, aumentou a procura dos produtos agrícolas nacionais de tal modo que, muitas vezes, os agricultores não precisam de os comercializar nos mercados, porque as comerciantes (vulgo caúladoras) compram-nos nas áreas de produção e a um preço mais reduzido, contando com despesas de transporte.

 

Leia mais na edição em PDF do Jornal OPais Diário.

Faça já a sua subscrição!

Envie um e-mail para [email protected] e tenha acesso à todas as notícias na íntegra.

leave a reply

O Pais

Deve ver notícias