Os recados do camarada Eusébio

A carta que o general Eusébio de Brito, antigo governador do Cuanza-Sul, escreve, em resposta ao seu sucessor na província, Job Capapinha, destapa o véu sobre o relacionamento entre determinadas esferas dentro da ‘Grande Família..

O antigo primeiro-secretário critica a forma como foi tratado na província que dirigiu, para onde se deslocou a fim de assistir a uma reunião do secretariado provincial do MPLA. De bem-amado, enquanto exercia o cargo na província, Eusébio viu-s e, há dias, na pele de mal-amado. Foi-lhe vetada a hipótese de participar no referido encontro, sem razões plausíveis. Ele não entende como um deputado eleito numa determinada província não pode estar numa reunião que iria tratar de temas desta localidade. Mesmo sendo da mesma família política.

‘Sou parte integrante da assinatura dos Acordos de Bicesse, e Decano dos comandantes da região nos Acordos de Luena. Sr. Camarada Activista Job Capapinha, as nossas biografias não se confundem, pois o meu percurso não tem a ver com festas, maratonas, ou bailes’, disse o antigo governador.

Como se não bastasse o cerco da oposição, algo correu mal no Cuanza Sul. Os camaradas têm, nos últimos tempos, fornecido munições para alimentar discussões menos importantes, algumas das quais teriam outro tratamento se buscássemos os últimos pronunciamentos de Lopo do Nascimento no Parlamento.

A força do MPLA é conhecida. Não se pode permitir que se exponham outras fragilidades, além daquelas que já emanam de alguns insucessos governativos. Os quase 50 anos de poder demonstram também grandiosidade, o que lhe permitiu resistir quase meio século às investidas feitas no passado pelos seus principais adversários, quer em termos políticos como militares. Não é em vão que, apesar de todo o poderio bélico que a UNITA possuía, era visível os esforços para cimentar a união dos camaradas.

Corre-se o risco de ver quezílias internas numa outra dimensão, com o risco de se provocar uma desestruturação, principalmente nas bases, a julgar pela lealdade que muitos dos seus militantes e simpatizantes ainda têm pelos líderes a quem serviram.

O ideal seria que se empregasse o saber na melhoria de projectos e não ateando fogo amigo, quando já se é conspurcado pelos adversários. Além dos partidos políticos tradicionais, há ainda a morder os calcanhares do próprio maioritário uma sociedade civil mais exigente e dinâmica, formada sobretudo por gente nova que nada tem a ver com as guerrinhas e influências locais.

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O Pais

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