É de hoje… Geração 2000

O internamento do antigo Presidente francês Valéry Giscard d’Estaing, que exerceu entre os anos de 1974 e 1981, por conta de problemas respiratórios, foi dos destaques da imprensa internacional ontem. Giscard d’Estaing acabou destronado da presidência pelo conhecido François Miterrand, o detentor da longevidade na presidência francesa (19811995).

Um velho conhecido da política angolana, foi durante o consulado de Miterrand que aconteceu o célebre caso ‘Angolagate’, em que estiveram envolvidas figuras da política francesa, entre as quais Jean-Charles Miterrand, o fi lho, e os nossos conhecidos Arkady Gaidamaky e Pierre Falcone.

Dizem os estudiosos que d’Estaing perdeu para Miterrand porque insistia em falar para o mesmo eleitorado. As transformações ocorridas na época, em solo francês, sobretudo na sua população, não o convenceram a adoptar uma nova postura e forma de encarar os problemas, o que fez com que Miterrand fosse melhor compreendido pelos eleitores naquela fase.

As últimas manifestações realizadas em Luanda, assim como no interior do país, mostraram já uma capacidade de mobilização de uma geração que deverá integrar aqueles eleitores que irão votar maioritariamente a partir das eleições autárquicas, se ocorrerem em 2021, e nas legislativas, aprazadas para 2022.

De uma simples convocação nas redes sociais, jovens com idades compreendidas entre os 18 e 20 anos de idade, deram a cara em defesa da vida e contra arbitrariedades que vêm sendo imputadas à Polícia Nacional. É a geração 2000, a mesma que não esteve envolvida nos períodos de guerra que o país viveu. Precisa apenas aprender sobre ela na disciplina de história ou mesmo nas histórias de vida dos seus progenitores, mas não se lhes pode ser apontada como sendo a causa de todos os seus males.

Não é ainda a ‘geração frustrada’ como alguém um dia ousou apodar um certo grupo que até a leitura lhe era proibida. Mas será a geração que vota, ao contrário daquela que no longínquo ano de 1981, em França, Giscard d’Estaing preferiu apelar ao voto, menosprezando as alterações na geografica eleitoral.

Tal como a geração da década de 90, também não é fortemente partidarizada. Mas tem interesse pela política, pelo país e pelas suas transformações. Não está ligada a um partido propriamente dito, mas aguarda por convencimento, preferencialmente pelas lideranças juvenis partidárias

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