Editorial: Elas também contam

As reclamações de profissionais que se veem a braços com a crise por causa da Covid-19 têm estado centradas, maioritariamente, naqueles segmentos tradicionais. Nos últimos seis meses, o que mais se escuta são as dificuldades atravessadas por professores e outros funcionários administrativos pelo país.

Ontem, a Associação Observatório de Políticas Públicas da Perspectiva do Género (ASSOGe) apresentou um estudo sobre o impacto da pandemia nas zungueiras. esteio de uma parte importante da sociedade angolana, tanto nos meios urbanos como rurais, estas senhoras, que deambulam desde as primeiras horas da manhã, têm sido, igualmente, o suporte de uma parte significativa das famílias angolanas.

Há seis meses que elas viram acentuadas as suas perdas, variando entre os 50 e 80 por cento em termos de venda. É o que atesta o relatório produzido, com cerca de 30 páginas, depois de uma série de entrevistas efectuadas em vários pontos da província de Luanda.

As restrições da pandemia vieram reforçar as que já tinham por conta da própria Polícia Nacional e dos fiscais afectos às administrações municipais. Se antes já era difícil vender alguma coisa, os últimos meses testemunharam um pesadelo ainda maior para desgraça destas heroínas.

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