Yuri Quixina: “Angola não quer reconhecer que está mal, as agências disseram que temos que reforçar a reforma económica”

O professor de Macroeconomia Yuri Quixina considera o reconhecimento do estado da economia nacional como um dos principais factores para sair da crise, como alertam as agências de rating

O Conselho da República analisou o impacto da Covid-19 sobre a economia e preparação e organização das eleições autárquicas. Mantém a sua opinião segundo a qual, as medidas de política económica só terão efeito depois de solucionada a pandemia?

Em primeiro lugar, o impacto da pandemia sobre a economia não existe. O problema são as medidas ou decretos para mitigar o contágio da Covid-19. Foi e continua a ser um desastre, para o mundo, considerar que a Covid-19 é que trouxe impacto nas economias. O que está a fazer estrago nas economias são as medidas.

Considerando a sua responsabilidade académica, não é demasiado simplista afirmar que a Covid-19 não tem impacto sobre a economia?

Afinal foi a pandemia que motivou a tomada das medidas. Então também é a pandemia que está a fazer com que se desconfi ne, porque está a provocar o aumento do desemprego!

As empresas pararam as suas operações em 50%, a culpa é da Covid-19?

Não é a Covid-19 que aprova os decretos. O importante é a capacidade de se reinventar e isso é que falta em Angola. Colocamos sempre medidas do ouvir falar. Os outros países fecharam, também vamos fechar. Não fazemos estudos. Sem confi namento o número de casos, em todo o mundo, era reduzido. Os governos assustaram-se e começaram a tomar medidas ditatoriais, reduzindo a possibilidade de o povo adaptar-se ao vírus. Resultado: os casos pioraram e já iremos pra a segunda a vaga.

Você acha que os governos não deviam tomar nenhuma medida?

As medidas deveriam ser tomadas com liberdade. Nunca vi uma solução para eliminar uma doença sem liberdade.

O que são medidas com liberdade?

Problemas novos, novas soluções. E novas soluções devem-se experimentar em ambiente de liberdade. Primeiro seria prevenção e não 100% de fechamento. A China assustou o mundo, mas os casos estão a aumentar. As empresas estão a morrer e a economia está quase morta.

O Ministério das Finanças reage à avaliação de três agências de rating que consideram haver risco de Angola honrar com o serviço da dívida, considerando que as mesmas agências reconhecem os esforços das reformas estruturais em curso, com o apoio do FMI. Como compreender esses posicionamentos?

Assustei-me com o comunicado. Pareceu-me muito filosófico. O comunicado das Finanças parece não ter lido bem o que dizem as três agências. Em nenhum momento a Moody’s diz que as reformas do Governo estão …

 

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