Editorial: Um polvo chamado Sonangol

A quantidade de informações que surgem apontando a Sonangol como o principal epicentro da corrupção em Angola nos remete para uma análise profunda sobre o que terá acontecido neste país ao longo dos seus anos de existência e de domínio da petrolífera como a maior entidade empresarial pública. A cada dia, uma novidade. A cada dia, um motivo de preocupação em torno daquilo que terá sido o açambarcamento do que pensávamos que fosse ser de todos nós.

Exceptuando os que passaram pela companhia nos primeiros anos, em que a corrupção, provavelmente, não era tão acirrada nem se tirava do erário a cântaros, os outros responsáveis vêem-se na ingrata missão de terem de dizer alguma coisa sobre o que se passou na petrolífera. A poderosa Sonangol era mesmo um poder à parte dentro do próprio Estado. Um poder que beneficiou tantos nem que para isso se hipotecasse a referida empresa, hoje endividada, e os filhos deste país. Os tentáculos deste polvo clamam por algum adestramento judicial ou político para se perceber as suas verdadeiras ramificações.

Num país em que se produziu uma casta sortuda com acesso restrito, como Angola, faria todo o sentido se se pudesse, no mínimo, avançar para uma catarse nas contas para se evitarem erros maiores no futuro. É que embora o empresário Carlos de São Vicente seja, hoje, a figura visível de um escândalo ainda por se explicar, de longe consegue-se divisar do espelho o reflexo do que se terá passado ao longo de décadas na companhia.

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