É de hoje… Toque de Mestre

O ideal seria começar este texto com um ponto prévio, alertando para o facto de difi cilmente existirem listas consensuais, mesmo tendo em conta a heterogeneidade da composição do Conselho Económico e Social. Os primeiros integrantes foram, ontem, anunciados pelos Serviços de Apoio do Presidente da República, João Lourenço. Num reino em que muitas vezes a futilidade suplanta o essencial, não espantará, como diz um amigo, que os Estados Federativos das redes sociais sejam dominados, hoje, por discussões em torno de quem faz parte do selecto grupo.

Distante poderá estar mesmo o cerne da questão, anunciada há cerca de quatro meses, quando o Presidente da República, no encontro com a Sociedade Civil, em Talatona, anunciou que “estamos em condições de evoluir rapidamente para a criação do Conselho Económico e Social que integre renomadas fi guras da Economia, do Direito, da Sociologia, empresários e outros.”

O que se anunciou na época, quando a Covid-19 ainda estava longe de atingir o rasto de destruição física, social e económica dos nossos dias, era a necessidade de se juntar sinergias, entre o Executivo e entidades da Sociedade Civil, para a busca de saídas que defendam a saúde pública, a normalização da vida social das pessoas, recuperação da produção nacional de bens e serviços, assim como o aumento das exportações e a oferta de emprego. Quatro meses depois, a pandemia tornouse uma verdadeira ameaça. Não só ao nível de Angola como do próprio mundo.

Como se não bastassem as mortes até hoje ocorridas, os níveis de desemprego aumentam de forma galopante, as empresas continuam a fechar, as importações e exportações reduziram drasticamente. Em suma, hoje o mundo precisa de novas abordagens e soluções, razão pela qual novas ideais e até novos rostos podem ser necessários para que se consiga levar avante este país, dando-lhe esperanças de um dia melhor, recorrendo a projectos concretos e não quiméricos.

Um olhar, sem recurso à lupa, oferece-nos uma lista em que estão incluídas até algumas das figuras mais críticas da actual gestão, das medidas até agora tomadas pelo Executivo e outras que visivelmente alinham com o “establishment.” É comum vê-los regularmente na imprensa, alguns em debates televisivos até.

Agora chegou a hora de se conjugarem esforços em prol de um país que clama das duas partes mais ideias concretas, realistas e menos verbosidade. O Conselho Económico e Social está aí. Não se pode dizer que não houve por parte do Chefe de Estado vontade de escutar o que a sociedade tem ao dispor para este momento difícil. Por isso, agora só resta dizer: mãos à obra!

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