O Centro do Cassequel está mal!

Caro coordenador do jornal O PAÍS, desejo saúde, paz e amor nesta Terça-feira, mais um dia de trabalho… O acesso à saúde pública em Luanda e no resto do meu e belo país, Angola, é uma realidade dura. O Estado, por via do Ministério da Saúde, tem feito grandes esforços, mas tem sido difícil melhorar os serviços. Nos hospitais e centros médicos públicos, os problemas são sempre os mesmos. O paludismo, a malária e outras doenças seguem de vento em popa, fazendo vítimas.

As condições sociais em que o pais está mergulhado não favorecem muito, mas é verdade que somos somente cerca de 30 milhões de habitantes e com organização, em sentido imaterial e material, iriamos mais distante. Visitei o Centro de Saúde do Cassequel, no distrito urbano da Maianga, em Luanda (Cassequel do Buraco), não gostei do cenário. O assunto é preocupante e está na mesma muito antes da Covid-19 ter chegado ao país.

Os níveis de higiene são baixíssimos, há pouca luz, os médicos e enfermeiros trabalham em condições feias, o termo é este.
Os pacientes que acorrem àquele centro não têm condições mínimas de ir a uma clínica privada e sujeitam-se a um serviço público de má qualidade.

O laboratório não tem condições. Os pacientes são obrigados a ir fazer análises clínicas fora e depois levar o resultado para o médico. Isso é uma vergonha para o Ministério da Saúde, sempre foi assim, não se pode pôr em causa a Covid-19. Os responsáveis só não falam por temerem a perda do pão para a família.

A maternidade, se a luz da rede for à noite, não tem um gerador em condições para dar continuidade aos trabalhos de parto. Por isso, em casos do género, evacua-se para a Maternidade Grande, ou seja, na Lucrécia Paím, uma casa com maiores e melhores condições.

Os problemas do Centro de Saúde do Cassequel são vários que até os moradores preferem ir para outros pontos com o mesmo serviço público, mas com melhores condições. Um jovem disse que o Centro só terá condições quando o Ministério da Saúde ouvir o pior, mas não é necessário chegar ao extremo para que tal aconteça, é feio brincar com os cidadãos e com os serviços públicos de saúde!

Gabi S. Muta, Cassequel, Luanda

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