É de hoje…Atacar e defender em bloco

O título desta peça foi retirado de um pronunciamento do secretário do MPLA para os Assuntos Políticos e Eleitorais, Mário Pinto de Andrade. O dirigente do maioritário promete que o seu MPLA “irá se defender e atacar em bloco, uma vez que foram sempre vencedores desde o início da luta armada de libertação nacional”. A três meses do término do presente ano de 2020, marcado fundamentalmente pela Covid 19 e, consequentemente, a crise económica, não só derivada da baixa do preço do petróleo, mas também dos efeitos da pandemia, assiste-se a um momento de quase pré-campanha eleitoral, sobretudo entre os dois principais contendores políticos.

Falar-se em ética na política é muito difícil. Em Angola, desde as primeiras eleições realizadas no país, os ataques que surgem confirmam. Para a maioria, a política do vale tudo ou da terra queimada foi sempre uma constante. Aliás, quem viu as últimas informações sobre o mercado de transferência política, no Kuando Kubango, em que as camisolas de adversários foram pisoteadas por uns, cartões exibidos em mesas e no chão, começa a divisar que em 2021, caso haja autárquicas, ou em 2022, nas legislativas, o processo será acirrado. Por exemplo, não foi necessário que se evoluísse para um momento pré-eleitoral para que se ouvisse, por exemplo, num espaço nobre de televisão, um dirigente político da oposição dizer que “o MPLA é um partido de gatunos’”.

O facto de alguns visados em casos de corrupção terem ligações com o partido não pressupõe que todos os militantes, simpatizantes e amigos sejam pessoas com cadastro comprometido. Mesmo assim, há quem não consiga sequer separar o trigo do joio. Felizmente, para os camaradas, esse combate contra a corrupção, que alguns ainda intitulam selectivo, está a ser desencadeado durante o seu consulado, um factor que poderá jogar a favor caso os resultados sejam animadores. Mas isso só não basta. É imperioso que se articulem jogadas ensaiadas, conjugadas com a concretização das promessas eleitorais, para que os próximos meses não sirvam de arma de arremesso contra os seus dirigentes e o próprio partido.

Entre a ansiedade de chegar ao poder, aproveitando, sobretudo, esta fase de aparente desvantagem económica e social, não há dúvidas de que os seus adversários políticos, com a UNITA à cabeça, aproveitarse- ão dos meios necessários para desferir o golpe certeiro com olhos postos em 2022, sobretudo. Tal como a oposição, ao MPLA parece não restar alternativas também senão jogar sério para vencer. Mário Pinto de Andrade, pelo menos, não tem dúvida: o ataque e a defesa será em bloco.