CEDEAO, UA e ONU enviam missão de diplomacia preventiva à Côte d’Ivoire

CEDEAO, UA e ONU enviam missão de diplomacia preventiva à Côte d’Ivoire

Representantes dos países da África Ocidental, União Africana e Nações Unidas são esperados Domingo em Abidjan, Côte d’Ivoire, numa missão de “diplomacia preventiva” antes das presidenciais de 31 de Outubro, foi ontem anunciado

 

“Uma missão conjunta da Comunidade Económica dos Países da África Ocidental (CEDEAO), União Africana (UA) e Nações Unidas (ONU) de diplomacia preventiva permanecerá de 04 a 06 de Outubro de 2020 em Abidjan, Côte d’Ivoire, como parte da eleição presidencial de 31 de Outubro de 2020”, anunciou ontem a CEDEAO em comunicado. A comitiva será liderada pela ministra dos Negócios Estrangeiros do Gana, país que preside actualmente à comunidade regional de países da África Ocidental, na qual se integram os lusófonos Cabo Verde e Guiné-Bissau.

A missão é ainda composta pelo representante especial do secretáriogeral das Nações Unidas para a África Ocidental e Sahel e pelos comissários responsáveis pelos assuntos políticos da CEDEAO e da União Africana. De acordo com o comunicado, a missão decorre ao abrigo do Mecanismo de Prevenção, Gestão, Resolução de Conflitos, Manutenção da Paz e Segurança e do protocolo sobre Democracia e Boa Governação.

“Esta diligência de diplomacia preventiva tem por objectivo consolidar e amplificar as conquistas e visa também fazer às autoridades e aos intervenientes políticos da Costa do Marfim recomendações para permitir uma eleição inclusiva, transparente e credível”, acrescenta a CEDEAO. Durante a permanência no país, os elementos da comitiva terão encontros com membros do governo e responsáveis de instituições envolvidas na organização das eleições bem como com os candidatos e partidos políticos Da agenda constam ainda reuniões com membros de organizações da sociedade civil e organizações não-governamentais internacionais que trabalham no domínio da democracia e da boa governação e representantes diplomáticos de países africanos, membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e da União Europeia.

A um mês das eleições presidenciais, crescem os receios de uma escalada de violência na Costa do Marfim, onde o Presidente Alassane Ouattara concorre a um terceiro mandato considerado inconstitucional pela oposição e 40 das 44 candidaturas foram rejeitadas pelo Conselho Constitucional. Pelo menos 15 pessoas morreram em Agosto em confrontos motivados pelo anúncio da controversa candidatura do Presidente Ouattara a um terceiro mandato e a violência tomou conta de várias localidades outra vez em Setembro, após o Conselho Constitucional ter anunciado a lista de candidatos admitidos às eleições.

Eleito em 2010 e reeleito em 2015, Ouattara, 78 anos, tinha anunciado em Março que não iria procurar um terceiro mandato antes de mudar de ideias em Agosto, após a morte do candidato presidencial escolhido pelo partido do poder e seu primeiro-ministro, Amadou Gon Coulibaly. A lei da Costa do Marfim prevê um máximo de dois mandatos, mas o Conselho Constitucional decidiu que a nova Constituição de 2016 recoloca a zero a contagem de mandatos de Ouattara, o que tem sido ferozmente contestado pela oposição, que apelou à desobediência civil e retirou os seus representantes da Comissão Eleitoral Independente (CEI).