É de hoje…Estado da Nação

É hoje que o Presidente da República se dirige ao país para mais um Estado da Nação, o quarto desde que chegou ao poder em Setembro de 2017, na sequência das eleições que ocorreram nesse ano.

O Estado da Nação de hoje, em que, certamente, questões como a economia, política, combate à corrupção, autarquias e outros serão temas de destaque fica também marcada pela antecipação do principal adversário político do Presidente João Lourenço, Adalberto Costa Júnior, ter rompido com os paradigmas da sua organização em relação à abordagem deste quesito.

Desde a aprovação da constituição de Angola em 2010, momento em que se estabeleceu constitucionalmente a obrigatoriedade de o Presidente da República discursar na abertura do ano parlamentar, o maior partido da oposição, por intermédio do antecessor de Adalberto Costa Júnior, Isaías Samakuva, fê-lo em gesto de réplica ao que é dito.

Esta semana, num dia em que as acções do Executivo ainda se centravam no sepultamento do antigo governador da província do Uíge, Sérgio Rescova, e na digestão das questões apócrifas lançadas sobretudo nas redes sociais sobre as causas da sua morte, o líder da UNITA aproveitou para lançar achas na fogueira, tentando assim condicionar o que será dito hoje por João Lourenço.

Acusações de má gestão, problemas económicos, mau enfrentamento da pandemia, favorecimentos e o caso Edeltrudes foram alguns dos itens escolhidos por Adalberto Júnior. Os dados apresentados um dia antes pelo Th e Wall Street Journal em relação ao combate à corrupção e os números que durante alguns meses eram reclamados por diversos sectores da sociedade civil.

Como parafraseou ontem, em Luanda, um amigo politólogo, a política em Angola está em alta. Por mais que se deseje, independentemente dos beliscos que tenha levado, dificilmente João Lourenço se deixará guiar pelo caminho endossado pelo adversário da oposição, mesmo que existam temas transversais que exijam abordagens por ser impossível passar por eles.

Por outro lado, se a ideia foi marcar terreno para sair em vantagem, Adalberto agiu bem. Em política também é aceitável. Porém, nem sempre a melhor defesa parte do ataque quando não se sabe sequer o que a equipa adversária tem para apresentar. Corre-se o risco de se ter que socorrer outra vez à imprensa para diminuir o efeito.

A insatisfação poderá emanar das respostas do Presidente da República, tendo em conta os ataques desferidos inicialmente, ou até do facto de a opinião pública se sentir satisfeita com o discurso de hoje. Aí sim poderá fazer sentido a réplica como o fazia Isaías Samakuva.

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