Octaviano Correia: “A Literatura não tem época, é de todas as épocas e todos os assuntos podem ser tratados através dela”

Escritor e jornalista, membro fundador da União dos Escritores Angolanos, Octaviano Correia admite que não existem, praticamente, no país, programas para crianças, sejam de rádio ou televisão, e os jornais pouco ou nada divulgam sobre os autores, e não apenas os que escrevem para crianças. Realça também que não há promoção de concursos literários e não se contactam as escolas, situação que é associada à falta de um Plano de Leitura Nacional elaborado e distribuído aos estabelecimentos escolares

Qual é o ponto da situação actual da Literatura Infantil em Angola?

Tanto quanto sei há escritores a produzir, não só dos mais consagrados mas até jovens que continuam a lutar com a grande dificuldade em encontrar editoras angolanas que os editem, já que as privadas têm exigências de pagamento antecipado que nem sempre estão ao alcance dos escritores e, muitas delas não possuem capacidade intelectual para analisar e seleccionar o bom do menos bom. Quanto aos dois organismos que deveriam apoiar, porque já o fizeram em tempos, as edições sem custos, o INIC (antigo INALD) e a UEA alegam dificuldades financeiras para apoio às edições.

Que balanço faz deste género literário em termos de produtividade e divulgação nos últimos anos?

Comparativamente a anos passados, e isto refere-se aos anos logo após a Independência, e pouco mais, a produtividade, ou melhor dizendo, a publicação é muito baixa pelas razões apontadas e, não havendo publicação, a sua divulgação é, obviamente, escassa. Não existem, praticamente, programas para crianças sejam de rádio ou televisão e os jornais pouco ou nada divulgam sobre os autores, e não apenas os que escrevem para crianças, simplesmente não entrevistam, não falam, não divulgam. Não há representação de peças teatrais das poucas que, infelizmente, ainda existem com assinatura de escritores angolanos e as nossas escolas, com raríssimas excepções, e algumas escolas estrangeiras, não levam a cabo actividades como feiras de livro, encontros com escritores e leitura de escritores angolanos.

Que passos devem ser dados para incentivar hábitos de leitura no seio familiar e noutros espaços?

Existem, no nosso país, algumas, infelizmente poucas, bibliotecas e ludotecas que poderiam e deviam incentivar a leitura com actividades como tempos de leitura e encontros com os escritores. As nossas escolas deveriam incentivar esses encontros, promovendo actividades com os alunos, do género de estudo das obras, trabalhos (desenhos, colagens, pequenas peças teatrais) com base na obra do escritor convidado.

O que é que lêem as nossas crianças actualmente?

Havendo pouca produção, é evidente que as crianças lêem pouco ou quase nada. Não havendo incentivos ainda lêem menos e aqueles que têm acesso à Internet dedicam o tempo a jogar, a ver vídeos estrangeiros (nós não os produzimos) especialmente brasileiros e filmes, por vezes, pouco adequados às suas idades.

 

Leia mais na edição em PDF do Jornal OPais Diário.
Faça já a sua subscrição!
Envie um e-mail para [email protected] e tenha acesso à todas as notícias na íntegra.

leave a reply