É de hoje… É a fiscalização, meus senhores!

A cada dia que passa é visível o aumento de casos de coronavírus. Tornou-se regra as cifras estarem entre os dois dígitos, diferenciando apenas em mais de 100 e noutros mais de 200 casos de infecção.

O que se aventava para Setembro do ano em curso era que, nesta fase, os números da Covid-19 seriam alarmantes. Os prognósticos mais assustadores apontavam para 10 mil casos. Não se chegou a tais cifras no mês em questão, como alguns alvitravam, mas o país está à porta dos 8 mil casos e uma taxa elevada de letalidade.

Até Dezembro, tendo em conta o nível de contágios ou casos revelados diariamente, poderemos estar perto dos 15 mil casos ou mais. É aterrador!

A preocupação, agora, reside em como se travar tal progressão do vírus. Por estes dias, aqui, em Luanda, foi anunciado pelas autoridades o nome de algumas ruas e bairros onde as infecções são avultadas, o que terá levado à desmobilização, por exemplo, de agentes da Polícia Nacional e, até mesmo, quadros da Saúde em determinadas zonas do Zango, em Viana.

Era expectável que, à medida que se aumentasse a circulação das pessoas, a quantidade de mão-de-obra nas empresas e até nas corridas de táxis e outros transportes, tivesse um crescimento exponencial. Aliados ao incremento de testes e da capacidade de processamento, os dois dígitos serão apanágio, com isso vão-se sobrecarregar as instituições sanitárias e mais pessoas perderão as suas vidas.

Depois das últimas manifestações em Luanda, originadas sobretudo pelas mortes do médico Sílvio Dala e de outras pessoas, as autoridades policiais e o próprio Executivo parecem ter refreado as acções de dissuasão.

Por mais que se culpem as autoridades por causa da escassez de testes ou até mesmo de condições hospitalares, é mister também reconhecer que o aumento de casos de infecção estará associado ao desrespeito de algumas normas estabelecidas e ao descaso dos próprios populares. Há espectáculos, festas e outras actividades culturais como se nenhuma doença existisse.

Ontem, a Comissão Multissectorial de Prevenção e Combate à Covid-19 condenou, veementemente, a prática destes actos e a realização de actividades que desobedeçam ao disposto no Decreto Presidencial n.º 256/20, de 8 de Outubro. Estas práticas põem em causa a saúde individual e em grande risco a saúde colectiva dos angolanos, pelo que insta as autoridades administrativas e de segurança pública a adoptarem as medidas necessárias à garantia do cumprimento das normas em vigor e à salvaguarda da vida. Sem fiscalização, dificilmente conseguiremos travar a marcha desta doença silenciosa, que, ao que tudo indica, nos obrigará a um confinamento mais rígido nos próximos meses.

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