À beira do colapso

há alguns dias que vimos alertando para os perigos que os incumprimentos às regras decretadas pelo Executivo iriam acarretar. E as novas medidas apresentadas, ontem, pelo ministro de Estado e Chefe da Casa Civil, Adão de Almeida, apresentam um quadro do qual os cidadãos serão, talvez, também culpados pelo aumento vertiginoso dos casos que aconteceram nos últimos dias. Dos 8500 casos registados até à passada Quinta-feira, 22, 30 por cento ocorreram nos últimos 15 dias. Este período corresponde àquele em que o Executivo, quando pensava ter a situação minimamente controlada, decidiu aligeirar as medidas, permitindo o regresso das aulas, a extensão dos dias de venda, mais horas para os restaurantes e outras actividades empresariais. Infelizmente, esta abertura não foi interpretada pela maioria como sendo benéfi cas para as actividades que desempenhavam, como por exemplo ajudar a tirar da faixa vermelha algumas empresas, comerciantes e os estabelecimentos estudantis.

O momento foi aproveitado por muitos para a realização de acções e actividades que facilitaram o aumento das infecções por Covid-19. Mesmo quando se sabe dos perigos que a infecção acarreta, ironicamente campeiam por Luanda indivíduos, de quem se esperava uma postura diferente, vendendo a mensagem de que a doença não existe, razão pela qual podem viver nesta época anormal sem restrições. As medidas adoptadas ontem têm razão de ser. Foram tomadas no momento certo para se cortar a cadeia de contágios e não permitir que o sistema de saúde, já deficitário, colapse. Por este motivo, foi reduzido o número de trabalhadores de 75 por cento para 50, as multas para aqueles que não usarem máscaras ou o fazerem de maneira indevida, para os organizadores de festas nesta fase, a redução do número de pessoas nos ajuntamentos, a redução dos dias de trabalho nos mercados, a circulação para as outras províncias só para pessoas autorizadas e profissionais, entre outras.

Como frisou Adão de Almeida, o país está à beira de um novo estado de emergência. Uma situação mais dura para todos, mas que só será evitado se todos se envolverem. Por mais que existam reivindicações, como tem sido hábito, desta vez o ónus parece não estar do lado do Executivo, o que vai obrigar que a Polícia Nacional e outras forças da ordem tomem medidas para se proteger a maioria dos angolanos. Por isso, antes de questionar o que foi decidido pelo Executivo, quando já vamos em cerca de 9000 mil casos de Covid e perto de 300 mortos, pense se o que tem feito pode ou não perigar a vida de outras pessoas.

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