Cartas do leitor:Os lotadores nas paragens…

Ilustre coordenador do jornal O PAÍS, muito obrigado pela oportunidade que me dá nesta edição! Escrevo a partir do Benfica, província de Luanda, onde vivo há mais de duas décadas. Por trabalhar no centro da cidade, estou acostumado a levantar-me à hora em que o galo começa a “cacarejar”. Vou até à paragem e apanho o táxi que me deixa numa zona mais próxima, para, depois, chegar ao trabalho. Mas uma coisa me tem chamado atenção. São os lotadores, ou seja, os jovens que chamam os passageiros mediante as rotas. Estes, depois de os carros estarem lotados, isto é, cheios, cobram um valor, variável, aos motoristas ou aos cobradores.

O entendimento chega a ser tão salutar que eles até estão organizados e isto é visto em todas as paragens de Luanda. Por esta razão, faço uma pergunta às autoridades: este trabalho, se for legalizado, tira ou não muitos jovens do desemprego? O Estado sai ou não a ganhar, se for cobrada uma taxa ou um imposto sobre o valor que é cobrado aos taxistas? Isto acaba por retirar alguns jovens da deliquência, porque, no fi nal do dia, o valor arrecadado é dividido entre os demais membros e cada um leva algum para sustentar a família em casa. Penso que esta é uma tarefa que a Administração Geral Tributária (AGT) e outros órgãos devem levar a sério e ver como é que o Estado e os lotadores podem vencer juntos. É verdade que o Estado também perde algum ou muito dinheiro, porque os lotadores cobram e levam todo o valor para eles, mas estão directa ou indirectamente ilegais no exercício daquela actividade. É chegado o momento de se organizar para todos ganharem um bocado do todo.

José  Ndele Cassua

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