É de hoje…Terrenos

Junho de 2019. Foi às primeiras horas da manhã que agentes da Polícia Nacional, acompanhados de responsáveis da Administração Municipal de Benguela, procederam à demolição do Bairro das Salinas, o que originou uma crise entre alguns cidadãos e os responsáveis do governo local.

Além das casas construídas, algumas de alvenarias e outras as famosas batechapas (cubatas da chapas de zinco), a acção de demolição levou consigo algumas infra-estruturas por estes conseguidas, como um posto médico e uma escola com sete salas de aula.

Desde então, o Bairro das Salinas tornou- se um local de batalha campal entre o Governo de Benguela e os antigos moradores, muitos dos quais residem agora, em condições inóspitas ao ar livre.

Como se previa, em situações do género, algumas organizações cívicas e até políticas fizeram do caso uma arma de arremesso contra o Executivo. Afinal, é normal que em casos destes qualquer adversário olhe como trunfo para procurar mostrar aos demais aquilo que julga ser uma atitude insensível, principalmente quando se coloca em risco a vida de pessoas.

Os populares são acusados de terem construído numa reserva fundiária do Estado, embora as autoridades tradicionais garantam que naquele local havia, em tempos ido, um bairro habitado sobretudo por pescadores. S

ocorro-me hoje do Bairro das Salinas, construído num local tido como reserva do Estado, por causa de um novo dilema em Benguela que opõe o Governo local e os cidadãos que há mais de seis anos depositaram dinheiros nas contas desta instituição para aderirem a um projecto habitacional.

Cada um teria direito a um espaço de mil metros quadrados para a auto-construção dirigida, mas até ao momento não viram o desejo satisfeito.

O caso da urbanização “Benguela-Sul” é apenas um dos vários que frustraram as aspirações de muitos jovens sem que se tenha dado uma justificação convincente.

O mesmo aconteceu em Luanda, a capital, quando uma das administrações, na época em que era dirigida por Francisca do Espírito Santo, acabou por receber também dinheiro dos cidadãos, mas até ao momento não se fez a entrega dos mesmos.

“Corrigir o que está mal, melhorar o que está bem” deve estender-se também a este segmento dos terrenos, em que a falta de transparência nos acessos tem criado outros dissabores e problemas ao próprio Executivo.

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