O diálogo que se recomenda ao nível dos media

A tónica da abordagem mediática sobre a manifestação do dia 24 tem recaído acentuadamente para uma perspectiva política, onde a UNITA aparece como que a principal protagonista e suposta causadora da mesma. O que não é de todo verdade; porém, o agravamento das condições de vida dos angolanos, a necessidade da realização das eleições autárquicas, assim como a questão do desemprego no seio dos jovens são as verdadeiras causas que estão na base da respectiva manifestação. A manifestação foi promovida por activistas sociais e estava convocada há mais de três semanas antes da data da sua realização, segundo o Maka Angola. “Os organizadores reuniram-se inclusive com o chefe de operações do Comando Provincial da Polícia Nacional, com quem definiram a rota da manifestação e superaram algumas divergências de pormenor”, lê-se no referido portal.

Em detrimento do exposto, cresce a construção de uma narrativa mediática que tem passado de lado das reais causas da manifestação, promovendo uma colação do sucedido a factores políticos, como se estes fossem as causas, ao passo que são apenas oportunidades exploradas pelas fraquezas do estômago, dos sonhos adiados e do suposto imediatismo inerente à juventude, que quer apenas ver os seus problemas resolvidos, que quer ver-se e sentir-se incluída nas políticas públicas para ser partícipe activa na construção da Nova Angola. O diálogo que se recomenda ao nível dos media, para estabelecer o devido equilíbrio editorial, pressupõe olhar para os factos como são, recorrendo a diferentes sensibilidades de saberes da sociedade, com destaque para os sociólogos, ajudando a sociedade a compreender estes fenómenos, perscrutando soluções que visam mitigar atitudes violentas e de vandalismo sempre que se vir a realizar manisfestações de cariz similar.

Olhar para as causas dos problemas e requerer dos governantes a implementação e grau de execução dos programas ou das políticas adoptadas para acudir as urgentes necessidades exigidas pelos supostos “arruaceiros”, é o modelo de proceder jornalístico que se recomenda nestas circunstâncias. Os media podem proceder em conformidade, priorizando um discurso descritivo e analítico, procurando informar e esclarecer à sociedade com rigor e isenção, inserindo os próprios jovens num plano de participação e inclusão, como parte do organismo social. A inclusão mediática das razões referidas, podem servir de indicadores elementares para a avaliação do impacto de determinadas políticas públicas que visem melhorar a vida das famílias e do cidadão em particular nos próximos tempos, e constituir também as bases do diálogo que se tem vindo a recomendar pelas mais variadas organizações e instituições da sociedade angolana e não só. Comunicólogo

POR: Amadeu Cassinda

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