Revitalizar as bases para fortalecer as estruturas

Antes de mais dizer que qualquer semelhança entre o título e algum slogan partidário não passará de mera coincidência, pois o objectivo do presente texto centra-se numa abordagem sucinta sobre os três níveis de atenção à saúde, bem como a sua importância para a melhoria do Serviço e do Sistema Nacional de Saúde para o contexto de pandemia da COVID-19 em Angola.

O que são Níveis de Atenção à Saúde?

O modelo de organização do sector da saúde em Angola, assim como da maior parte dos países ao redor do mundo, está de acordo com a classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que define três diferentes Níveis de Atenção à Saúde, a saber: o Primário, o Secundário e, finalmente, o Terciário. O diferencial entre cada um destes níveis assenta no foco de atendimento ao utente/ paciente, que varia de acordo com a complexidade necessária para cada acção.

Nível Primário (Unidades básicas de saúde, postos médicos): é neste nível que acontece o primeiro encontro, ou seja, o contacto inicial para a promoção e prevenção da saúde que contribuirá para a redução dos riscos de doenças. Neste nível, não há tratamentos complexos ou combate a doenças. Aqui há sim, como já foi dito, o primeiro contacto para a promoção e prevenção da saúde. Neste sentido, é neste nível onde são realizados exames e consultas de rotina, que são importantes para que o utente/ paciente mantenha uma vida saudável. Ocorrem ainda, nessa etapa, as diversas campanhas de consciencialização para incentivar a população ao cumprimento do calendário de vacinação, para a prevenção de doenças, no caso de Angola, como a malária, doenças diarreicas, gripes, doenças crónicas não-transmissíveis e outras, por exemplo.

Dependendo do estado de saúde do utente/paciente, durante a assistência no nível Primário, o mesmo pode ser encaminhado para os cuidados Secundários ou Terciários. O nível de atenção Primário é de extrema importância, na medida em que é aqui onde se podem evitar diversas doenças.

Dar uma maior atenção para um atendimento Primário de excelência poderia evitar, desde gastos posteriores com procedimentos mais complexos (que poderiam ter sido evitados) até mortes prematuras, já que as mortes por doenças não transmissíveis vitimizam aproximadamente 40 milhões de pessoas anualmente, segundo dados da OMS e, desse total, 80% são consideradas prematuras. Lembrar que o nível de atenção primária é a porta de entrada para o Serviço e o Sistema Nacional de Saúde, daí a sua grande importância para a melhoria da qualidade de vida das pessoas e das comunidades.

Nível Secundário (Hospitais secundários e ambulatórios de especialidades): a complexidade do atendimento neste nível é maior e o utente/paciente já entra em contacto com diversos profissionais (em muitos casos, equipas multidisciplinares) de saúde mais especializados. Neste nível, são realizados exames mais detalhados para um diagnóstico mais preciso e um tratamento adequado. Nesta fase, o processo de atendimento é ou deve ser mais personalizado e reforçados os cuidados necessários para a recuperação da saúde. Recursos humanos e tecnológicos podem e devem ser muito bem aproveitados para atender, cuidar e comunicar com o utente/paciente da melhor forma possível.

Nível Terciário (Hospitais de alta complexidade): aqui, geralmente o paciente foi encaminhado para este nível após uma passagem pelos níveis primário ou secundário. É um atendimento altamente especializado para os utentes/ pacientes que podem estar internados e precisam de cirurgias e exames mais complexos e invasivos. Nesta fase, o utente/ paciente pode ter doenças graves que podem ou representam um risco para a sua vida. Aqui entram também os cuidados para reabilitação. Acompanhar toda a jornada do utente/paciente de forma eficiente faz parte de uma gestão de sucesso em saúde.

Ao conhecer as características e os desafios de cada etapa, os titulares de cargos políticos, gestores de unidades sanitárias e outros conseguem ou deviam estabelecer melhores estratégias e oferecer um atendimento de qualidade aos utentes/pacientes do Serviço, bem como do Sistema Nacional de Saúde.

Sendo assim e após o acima exposto, torna-se importante, em tempos de pandemia da COVID-19 e não só, a revitalização das bases para fortalecer as estruturas, ou seja, fortalecer o Serviço e o Sistema Nacional de Saúde, a partir do nível Primário de atenção à saúde, pois somente assim haverá promoção e a prevenção da saúde, bem como redução do fluxo de utentes/ pacientes nos níveis subsequentes, acima mencionados definidos. Ao finalizar congratulamo-nos com as iniciativas do Executivo em inaugurar diversas unidades sanitárias de referência, um pouco por todo o país, mas reforçamos a ideia da necessidade de um investimento cada vez maior para o nível de atenção Primária, como ponto ou porta de partida para um Serviço e do Sistema Nacional de Saúde cada vez mais forte, mais eficaz e disponível à população.

Mestrado em Ciências da Comunicação Pós-graduação em Gestão Hospitalar Técnico de Comunicação e Marketing em Saúde

POR: Filomeno Pascoal

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