Morreu Sindika Dokolo, marido de Isabel dos Santos

O colecionador de arte morreu aos 48 anos, enquanto praticava mergulho no Dubai, onde estava com a família.  . O empresário e colecionador de arte nascido no antigo Zaire, em 1972, terá sido vítima de uma embolia pulmonar depois de ter estado a praticar mergulho com a família, de acordo com vários meios de comunicação social africanos. A notícia da morte do empresário congolês foi confirmada à Lusa por fonte ligada à família. As mensagens de condolências multiplicaram-se nas redes sociais.

A assistente pessoal do presidente congolês, Felix Tshisekedi, escreveu no Twitter: “Foi durante um mergulho que partiu para a eternidade, uma atividade habitual que o afastou da sua luta e dos seus entes queridos”. Esta quinta-feira a empresária Isabel dos Santos colocou uma fotografia ao lado do marido e do filho do casal nas redes sociais. No Instagram pode ler-se a descrição “My love…” (“Meu amor”…). Sindika Dokolo e Isabel dos Santos conheceram-se em 1999. Desde então eram vistos várias vezes juntos em diversos eventos sociais e empresariais. Tinham várias empresas em conjunto.

Os negócios de Sindika Dokolo estavam a ser investigados pela justiça angolana, na sequência das revelações do Consórcio Internacional de Jornalistas que ficaram conhecidas como Luanda Leaks. Sindika Dokolo e a mulher são suspeitos de terem lesado o Estado angolano em milhões de dólares e foram alvo de arresto de bens e participações sociais em empresas, em dezembro do ano passado, por determinação do Tribunal Provincial de Luanda.

Quem era Sindika Dokolo?

Sindika Dokolo nasceu em 1972 no antigo Zaire, filho de pai congolês e mãe dinamarquesa, mas passou a maior parte da sua infância na Europa, especialmente na Bélgica e em França. O seu pai, Augustin Dokolo, foi o primeiro homem negro a criar um banco em África no fim dos anos 60. “É conhecido como o empresário mais bem-sucedido do Congo desde a sua independência”, apontou Sindika, em entrevista ao Jornal de Negócios. Herdou do pai não só o dinheiro, mas também o gosto pela arte, que mais tarde o faria dedicar ao colecionismo.

Numa entrevista à TPA, contou que a mãe fez questão de o levar a todos os museus da Europa e que o pai tinha já várias obras de arte africana. Foi também o pai que o levou a prosseguir a formação em economia, comércio e línguas estrangeiras em Paris. O empresário avançou na área da arte logo aos 15 anos, quando começou a constituir uma coleção de arte africana com a ajuda do seu pai.

Mais tarde herdou algumas das peças da sua coleção e acabou por criar a Fundação Sindika Dokolo, em Luanda, para promover a cultura e a arte no continente. Em outubro do ano passado, a sua Fundação comprou e repatriou para Angola 20 peças de arte que tinham sido levadas de museus angolanos para coleções estrangeiras e preparou-se para entregar ao museu de Kinshasa a primeira peça congolesa recuperada, segundo uma entrevista concedida na altura à agência Lusa.

Crítico dos quase 20 anos do regime do Presidente Joseph Kabila na República Democrática do Congo, Sindika Dokolo esteve cerca de cinco anos no exílio, devido aos processos movidos contra si em Kinshasa, tendo regressado apenas em maio de 2019, já depois da chegada ao poder de Félix Tshisekedi, que tomou posse como chefe de Estado congolês em janeiro. Em fevereiro de 2016, ainda com José Eduardo dos Santos nas funções de Presidente em Angola, a Fundação Sindika Dokolo entregou ao chefe de Estado, no Palácio Presidencial, em Luanda, duas máscaras e uma estatueta do povo Tchokwe , que tinham sido saqueadas durante o conflito armado, recuperadas após vários anos de negociação com colecionadores europeus.

(SÁBADO.PT)

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