ONU condena ataques em França e pede que líderes denunciem discurso de ódio

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos condenou, ontem, Sexta-feira, o ataque de Quinta-feira em Nice e o assassínio do professor Samuel Paty, pedindo aos líderes políticos e religiosos que denunciem “rapidamente” o discurso de ódio.

“Condeno veementemente os hediondos assassínios de três seres humanos inocentes – incluindo duas mulheres – que ocorreram em Nice, ontem (Quinta-feira), bem como o horrível assassínio do (professor de francês) Samuel Paty há duas semanas”, disse Michelle Bachelet num e-mail enviado à agência de notícias AFP. “Os líderes políticos e religiosos, assim como os media, não devem apenas evitar incitar a violência, hostilidade ou discriminação, mas também se devem expressar firmemente e rapidamente contra o discurso de ódio”, referiu a alta comissária. Michelle Bachelet também pediu aos líderes que “deixem bem claro que a violência não pode ser justificada por uma provocação prévia”.

O ataque em Nice, no Sudeste da França, no qual três pessoas foram esfaqueadas até a morte numa igreja na Quinta-feira por um tunisino, ocorreu quase duas semanas depois do assassínio de um professor na região de Paris, Samuel Paty, decapitado por um russo-checheno depois de ter mostrado caricaturas de Maomé numa aula sobre liberdade de expressão. Nos últimos dias têm-se multiplicado reações do mundo muçulmano contra a França e o seu Presidente, depois de Emmanuel Macron ter declarado que continuaria a defender a liberdade de expressão, incluindo a publicação de caricaturas, durante uma homenagem nacional ao professor. O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, foi um dos primeiros a criticar fortemente o Presidente francês, seguido posteriormente por várias lideranças de países maioritariamente muçulmanos. Ontem, o Governo indonésio acusou o Presidente francês de desrespeitar o Islão ao defender as caricaturas de Maomé, um dia depois de condenar o ataque ‘jihadista’ na cidade francesa de Nice.

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