Editorial: Ratoeiras das redes sociais

Editorial: Ratoeiras das redes sociais

Luanda viu mais uma manifestação impedida pela Polícia Nacional por, segundo esta, não ter respeitado o disposto no Decreto Presidencial que proíbe ajuntamentos na via pública superiores a cinco pessoas, dado o perigo eminente de proliferação dos contágios por Covid-19, tendo as autoridades policiais reconhecido que esta disposição presidencial não coarta os direitos civis. Entretanto, como fez questão de sublinhar o comissário-chefe Eduardo Cerqueira, comandante Provincial da Polícia de Luanda, a Constituição da República também dispõe que o Estado protege a vida, esta que é o bem superior a todos os demais que possam ter acolhimento legal.

Mas os interessados nas manifestações, reconheça-se a justeza dos motivos, apenas põem em caixa alta o seu direito à manifestação sem se importarem com a salvaguarda do bem vida plasmado na Constituição, também, ficando por se saber o objectivo desta contumácia dos organizadores das manifestações. Ocorre também que estes são secundados articuladamente por políticos e mídias sensacionalistas que usam as redes sociais para propalarem, irresponsavelmente, informações não confirmadas como foi, desta vez, o caso da suposta morte de um manifestante, identificado como Lando Miguel Lundoloki Domingos, com um disparo na cabeça feito por efectivo da Polícia Nacional.

No entanto, pasme-se, o comandante de Luanda não só desmentiu a sua morte, como também esclareceu as condições em que ele foi socorrido para o Hospital Américo Boavida, onde se encontrava a receber tratamento médico sem perigo de vida. Para descrédito dos políticos e mídias mensageiros da hecatombe, o suposto morto com uma bala na cabeça. Ora, depois deste triste espectáculo de desinformação e de difusão de mentiras algumas perguntas não se calam…que agenda seguem esses políticos, mídias e activistas, para serem tão insensíveis aos riscos da Covid-19?