É de hoje…Toque britânico

A reputação de qualquer indivíduo é condição fundamental para que beneficie da confiança daqueles com quem se pode contar. E em tempos de vacas magras, a boa imagem pode ser factor chave para que se consigam bons resultados. O mesmo acontece com as pessoas colectivas ou mesmo países, principalmente quando se pretende recorrer aos mercados em busca de apoios para os vários projectos que se pretende gizar.

Asfixiada durante largos anos pelas organizações internacionais como o país mais corrupto do mundo, aquele em que mais crianças morrem antes de chegar aos cinco anos, nos últimos anos o país tem conseguido inverter algumas das tendências do passado, embora ainda surjam sinais de um passado tenebroso que urge extirpar sem pestanejar. Não obstante o momento conturbado que se vive, fruto da crise económica, solidificada pela pandemia da Covid-19, ontem o país recebeu mais um sinal claro de que o caminho pode ser muito melhor no futuro, caso consigamos ultrapassar os traumas e criarmos em conjunto de balizas para o efeito.

Desta vez, o sinal veio da agência britânica FutureBrand, colocando o país na posição 32ª em termos de reputação, depois de ter inquirido 2.500 profissionais qualificados que viajam frequentemente. Contrariamente ao 69º lugar em que estava no ano passado, abaixo de países como o Sudão, Myanmar, Casaquistão, este ano Angola ultrapassou inclusive a Argentina, Brasil, Grécia e China.

Com vários itens de análise, os britânicos estudam nesta avaliação “os países antes afectados por guerra civis e instabilidade política, mas que após estes problemas serem resolvidos, sobressaem outros motivos de interesse, como a cultura e a beleza natural, mas também potencial económico e valores sócio-políticos”.

Citado pela Lusa, o director de Estratégia Global da referida organização, Jon Tippell, foi peremptório: “o desafio agora é manter e garantir que se mantém esta percepção; manter a estabilidade, demonstrar a novidade, apoiar a tolerância, ser visto como um bom local para fazer negócio, para viver ou estudar e passar tempo”.

Por mais que os tempos sejam turbulentos, o futuro, tal como vêem os que estão distante de nós, só será alcançado se retirarmos as vendas dos olhos e acreditarmos que se possa, sim, resolver a questão da empregabilidade, educação e saúde num ambiente de concórdia, sobretudo.

O inglês Tippell considera que “as empresas e países com um alinhamento forte e uma relação de apoio com o valor, seja o PIB ou capitalização bolsista, e a forma como são vistos por todo o mundo pode ser um indicador interessante de como estão preparados para crescer”. Este é um sinal que não se pode menosprezar, sobretudo vindo dos britânicos.