É de hoje… Primeiro passo

Haverá quem pense que do Cuando Cubango, que pejorativamente ficou taxada durante largos anos como as Terras do Fim do Mundo, viessem somente informações menos boas. Ontem, através de um comunicado do Governo Local, encabeçado por Júlio Bessa, ficou-se a saber que terá reunido com os jovens que pretendiam realizar a manifestação no passado dia 11 de Novembro.

O encontro terá durado cerca de cinco horas, tempo suficiente para que os manifestantes apresentassem as suas inquietações de carácter pessoal e também algumas ligadas ao desenvolvimento sócio- económico da própria província. A morosidade na implementação de vários programas governativos, segundo a nota do Governo Local, mereceram uma especial atenção porque poderiam criar mais oportunidades de emprego para a juventude como forma de evitar sentimentos de revolta e manifestações.

“Os jovens, que não fazem parte das associações do Conselho Provincial da Juventude (CPJ), falaram igualmente da falta de diálogo com os Titulares do Poder Executivo, do fraco fornecimento de energia e água nos diversos bairros da cidade de Menongue e não só, da conclusão de várias obras, há muito paralisadas, entre as quais o Pólo Universitário, escolas, hospitais, centros médicos e postos de saúde, bem como das péssimas condições em que se encontram as vias de acesso que ligam o interior da Província”, segundo os organizadores.

O pontapé de saída de Júlio Bessa pode ser o início de um processo que se venha a estender noutras parcelas do país, sabendo-se, desde já, que a efectivação de algumas das exigências merecerão um esforço colossal para a sua concretização. Através da participação directa dos jovens, há soluções que podem ser encontradas desde que exista também por parte destes disposição para aqueles assuntos em que são os principais interessados. Os problemas reivindicados ultimamente não são uniformes.

Há zonas em que se exige emprego, casa e outros serviços, mas outras em que alguns se atiram contra os anos de poder do MPLA. Infelizmente, há quem acredite ser esta a via a ideal para se afastar quem tenha chegado à Cidade Alta por via democrática, através das urnas. A dispersão de motivações, em caso de uma abordagem com as autoridades, poderá jogar a desfavor de quem reivindica.

No caso do Cuando Cubango, por exemplo, Júlio Bessa parece ter encontrado caminhos para em conjunto dar passos e com isso esbater as manifestações dos próximos tempos. Os activistas sociais passam a participar de algumas acções do Governo, ao mesmo tempo que lhes é solicitado que aproveitem as oportunidades e os incentivos que o sector agro-pecuário e pescas tem oferecido, criando igualmente pequenos pequenos negócios, individual ou colectivamente.

Um outro desafio feito é que os jovens passem a integrar as visitas de campo do governador para aferirem pessoalmente as acções em curso, bem como serão convidados permanentes dos órgãos ad-hoc do Governo Provincial. Fica também a promessa de encontros temáticos regulares, sob proposta dos jovens quando julgarem necessário. O que se espera agora é que haja ‘sumo’ nas reivindicações para que consigam influenciar positivamente as autoridades longe das ruas.