Homenagens // Museu Nacional da RDC abre ao público para homenagens a Sindika

Homenagens // Museu Nacional da RDC abre ao público para homenagens a Sindika

O Museu Nacional da República Democrática do Congo (RD Congo), em Kinshasa, vai estar aberto ao público nesta Quartafeira,18, para prestar homenagem e condolências ao empresário congolês, Sindika Dokolo, falecido no passado dia 29 de Outubro. A informação foi partilhada na rede social de Instagram do empresário e coleccionador de arte, que era casado com a filha do ex-presidente angolano, Isabel dos Santos, com quem teve quatro filhos. Na sua página de Facebook, o museu já tinha expressado condolências pela perda de um “grande homem de Cultura e digno filho da Nação congolesa que se empenhou na nobre batalha da restituição dos bens culturais africanos a África”.

Nesta Terça-feira, as cerimónias fúnebres de Sindika Dokolo, que morreu durante um acidente de mergulho, aos 48 anos de idade, vão realizar-se em simultâneo em três locais ligados ao empresário: Londres, onde a família vivia habitualmente, Kinshasa, onde nasceu, e Luanda, onde o casal se conheceu e onde estava estabelecida a Fundação Sindika Dokolo para a promoção das artes.

A missa fúnebre e cerimónia em memória de Sindika Dokolo realiza-se na Catedral de Westminster, em Londres, Inglaterra, às 10 horas e 30 minutos. Às 9 horas do mesmo dia, decorrem cerimónias fúnebres no Museu Nacional da República Democrática Congo, em Kinshasa, e em Luanda, num local que não foi especificado.

A arte, o exílio e os luanda leaks

Sindika Dokolo nasceu em 1972 no antigo Zaíre, actual República Democrática do Congo (RDC), filho do banqueiro Augustin Dokolo Sanu, e da sua segunda mulher, a dinamarquesa Hanne Taabbel, tendo iniciado a sua colecção de arte quando tinha 15 anos. Em Fevereiro de 2016, ainda com José Eduardo dos Santos nas funções de Presidente em Angola, a Fundação Sindika Dokolo entregou ao chefe de Estado, no Palácio Presidencial, em Luanda, duas máscaras e uma estatueta do povo Tchokwe (leste de Angola), que tinham sido saqueadas durante o conflito armado, recuperadas após vários anos de negociação com coleccionadores europeus.

Em Outubro do ano passado, a sua Fundação comprou e repatriou para Angola 20 peças de arte que tinham sido levadas de museus angolanos para coleções estrangeiras e preparou-se para entregar ao museu de Kinshasa a primeira peça congolesa recuperada, segundo uma entrevista concedida na altura à agência Lusa.

Em Portugal, a Fundação adquiriu a casa do cineasta português Manoel de Oliveira, no Porto, mas, até ao momento, o espaço permanece por dinamizar. Crítico dos quase 20 anos do regime do Presidente Joseph Kabila na República Democrática do Congo, Sindika Dokolo esteve cerca de cinco anos no exílio, devido aos processos movidos contra si em Kinshasa, tendo regressado apenas em maio de 2019, já depois da chegada ao poder de Félix Tshisekedi, que tomou posse como chefe de Estado congolês em Janeiro.