É de hoje… Notas soltas

em tempos de turbulência económica ou política, o engenho de quem se propõe a dirigir tem de estar assente em propostas concretas e não apenas no único coro crítico, alimentado excessivamente pela teoria dos contrários. Com uma crise económica à perna e a situação da Covid-19 a roer os calcanhares desde Abril do presente ano, o Executivo do Presidente João Lourenço tem recebido críticas da sociedade civil, da oposição e agora também de alguns líderes religiosos. As últimas manifestações protagonizadas por jovens, primeiro no dia 24 do mês passado, com as escaramuças típicas que ocorreram depois de confrontos com a Polícia, e a última a 11 de Novembro, o tom aumentou e as exigências igualmente. Pelo caminho houve uma UNITA apontada como tendo instigado os jovens, numa polémica que lhe custou um deputado, mesmo que se diga que tenha respeitado a sua decisão de seguir um caminho diferente. Neste mar de dificuldades, o que se tem assistido são mais críticas do que o apontar de caminhos que possam ajudar a tirar o país da crise. Mais do que se almejar chegar ao poder, a apresentação de soluções para a melhoria do ambiente de negócios, o aumento da empregabilidade, a recuperação de infra-estruturas, assim como um melhor enfrentamento à Covid -19 permitiria, por exemplo, à própria sociedade saber até que ponto aqueles que se apresentam como alternativa têm, na verdade, soluções para os problemas que enfrentamos no dia-a-dia. Longe dos velhos tempos em que o segredo era a arma do negócio, os novos exigem que se lhes seja dado indicadores de capacidade que não se cinjam unicamente em discursos. Da UNITA ainda se tem visto alguns ‘rugidos’. Dos demais partidos pouco ou quase nada aparece. A oposição deve ser uma verdadeira alternativa. Mais do que viver pendurada aos erros do adversário, no caso o MPLA, o ideal seria ensaiar jogadas que lhes levassem a obter uma maior aceitação por parte dos populares. E isso só se consegue com ideias originais e não cosméticas. Mais do que se levar para as telas discussões sobre o país há outros palcos que serviriam melhor. Por exemplo, uma proposta de orçamento alternativo, mesmo que fosse só para conhecimento da sociedade, permitiria compreender por que ao longo de mais de 30 anos no Parlamento não se dignam sequer viabilizar um único Orçamento Geral de Estado. Escreve Sérgio Arapuã de Andrade, no livro ‘Como vencer eleições em TV e Radio’ que uma das maiores capacidades do homem é o esquecimento. Ou seja, os mesmos que criticam hoje as acções do partido no poder, por conta da vaga de desemprego e a condição social angustiante, podem vir a ser os seus apoiantes assim que conseguirem lugares e notarem melhorias nas suas vidas nos próximos tempos.