Editorial: Um país de desconfianças

O Parlamento acabou de aprovar uma lei que pretende simplificar o registo de nascimento. Sabe-se de antemão que, apesar dos anos, conseguir uma cédula pessoal ou um Bilhete de Identidade sempre foi um cavalo de batalha, apesar dos enormes investimentos feitos pelo Estado ao longo dos últimos 10 anos.

O projecto aprovado ontem procura estancar este mal, reconhecendo no cartão de eleitor, por exemplo, um documento que pode ser usado pelos cidadãos para terem acesso à cidadania angolana.

Partindo-se do princípio de que todos os que têm exercido o direito de voto são angolanos, por se tratar de um privilégio coarctado aos estrangeiros, não haverá problema algum para que este documento seja introduzido no leque daqueles que têm servido para se obter alguns angolanos.

O coro que se faz hoje ao cartão de eleitor, como se fosse um documento fraudulento e de menos garantia, contrasta com o espírito inicial que desde sempre norteou este país. Desde as primeiras eleições realizadas em Angola que se deu a este documento uma importância vital, não sendo por isso válido que só hoje se olhe para ele como algo anormal.

As desconfianças existentes assentam mais no campo político do que propriamente naqueles que nas zonas mais recônditas têm-no como único documento com que se identificam diante das autoridades.

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