É de hoje…Afinal houve manifestação!

Sempre que se falou em manifestações, nos últimos dias, vendeu-se a imagem de que fosse algo nocivo. Quando devidamente organizadas, sem intenções adversas às inicialmente perspectivadas, elas acabam também por servir de factor pedagógico e influenciador para as acções que as instituições, sejam elas a nível do Executivo ou não, delineiam.

No dia 24 de Outubro, quando um grupo de jovens decidiu sair à rua reclamando as más condições de vida estiveram em causa razões nobres, não fosse o facto de a manifestação ter ocorrido num período em que o país se debate com uma crise pandémica originada pela Covid-19.

Embora seja um direito constitucionalmente estabelecido, o debate depois girou em torno do facto de se poder ir à rua e também se colocar em causa a vida, uma vez que até entre os próprios organizadores ou participantes surgiram casos positivos. Infelizmente, as manifestações acabaram por ganhar alguma notoriedade não tanto pelas reivindicações, mas sim pela reacção que engendraram.

Tanto pela actuação da Polícia Nacional, que em alguns casos, como reconheceu esta semana o ministro do Interior, Eugénio Laborinho, como também pelos próprios manifestantes que a dado momento viram na confrontação a melhor saída para imporem as suas reivindicações. Por mais que não se admita, as convulsões acabaram por cilindrar as pretensões dos manifestantes. O dia de ontem, 21 de Novembro, também testemunhou mais uma manifestação, mas acabou diluída no leque das demais acções, embora um reduzido número de cidadãos tenha aderido. Poucos se terão apercebido que este Sábado um grupo de cidadãos manifestou-se, reivindicando mais empregos, melhores condições de vida, habitação e outras reivindicações.

O que se espera é que a forma como se abordou a manifestação de ontem sirva de exemplo para as autoridades, sobretudo os efectivos da Polícia Nacional. Se encarados como algo normal, as manifestações irão passar por nós como se de algo normal se tratasse e não um problema como algumas vezes nos tem sido dado a entender.

Sem os alaridos de outros dias, poucos são os angolanos que se terão apercebido que afi nal ontem houve um grupo de cidadãos que saiu à rua e marchou até ao largo 1º de Maio. Se calhar, nem mesmo Neto se apercebeu da presença residual dos que por lá passaram.