“FINTAR” A COVID COM AS TICS

“FINTAR” A COVID COM AS TICS

FIQUE EM CASA: De repente passou a ser a voz de comando para todos nós. Desde Dezembro do ano passado quando o Mundo ouviu falar pela primeira vez de casos de Covid 19, “Fique em Casa” foi declarada como uma das formas mais eficazes de prevenção. Fique em casa, não vá às festas, shows de música, teatro, convívio com amigos. E o inimaginável: Fique em casa, não vá trabalhar.

É nessa necessidade de fazer as actividades essenciais da vida à distância – um novo modo de vida da comunidade global – que as TICs instantaneamente assumiram um papel central na vida das pessoas. O “tele” entrou no dia-a-dia de quase todo o mundo: Telecompras; telemedicina; teleconferências; tele-quase tudo e… teletrabalho! As pessoas deixaram de se deslocar aos escritórios para fazer o seu trabalho. Deixaram de ter que estar no mesmo espaço físico para fazer encontros e reuniões. Popularizou-se até um termo novo: “webinar”, junção de duas palavras inglesas (web=rede e seminar=seminário).

Isso tudo significou uma tremenda oportunidade para o crescimento e expansão das TICs devido ao aumento da demanda. Para que as empresas não fechem, criaram mecanismos para que os funcionários continuem produtivos mesmo a partir de casa utilizando ferramentas online. As instituições de ensino adaptaram os seus curricula ao “online” e começaram a usar aplicativos de vídeo para dar aulas, fazer palestras e seminários ao vivo. Muitos serviços tradicionalmente presenciais foram transferidos para o on-line, como as encomendas e compras de alimentos, marcação de viagens, operações bancárias, etc. Isso rapidamente se transformou no novo normal das pessoas em todo o Mundo. E tudo indica que, estes novos hábitos vieram para ficar, mesmo quando a pandemia for controlada.

É assim que, graças à Covid-19 a procura por serviços de comunicação de banda larga dispararam, experimentando um aumento de até 60% no tráfego da INTERNET em comparação ao período pré-crise globalmente. E Angola não é excepção. À medida que cada vez mais pessoas são forçadas a trabalhar, estudar, acessar notícias ou buscar entretenimento sem sair de casa, os períodos de “pico” estendem-se além do horário normal de trabalho durante o dia, à noite adentro e estendeu-se da “cidade” para os subúrbios”. Em resultado, as operadoras de rede e provedores de serviços têm que reorganizar-se para responder à altura para responder a esta súbita demanda. Em muitos casos, a capacidade da rede teve que ser expandida. Os legisladores e reguladores em

muitos países globalmente lançaram um espectro adicional em uma base temporária para aliviar os problemas causados ​​pelo aumento inesperado no tráfego e congestionamento subsequente experimentado pelas redes móveis. Em última análise, a importância da banda larga cresceu neste período como um serviço essencial e central para as instituições, organizações e empresas interagirem com os cidadãos e, no caso das empresas, darem a volta aos desafios do confinamento e distanciamento físico e alcançar clientes existentes e novos.

Se em 2016 que as Nações Unidas declararam o acesso à Internet um direito humano, com o surgimento da pandemia ficou demonstrado papel central que o acesso universal à Internet e às tecnologias digitais pode desempenhar na interacção social e no estímulo e sustentação da produtividade e do crescimento económico. O acesso à banda larga hoje por hoje, foi elevado ao nível de outras  infraestruturas e serviços críticos, como por exemplo água, electricidade, estradas, etc.

O nosso país não esteve à margem deste processo. De repente, o telefone inteligente e o computador deixou de ser um luxo e passou a necessidade absoluta. Quase tudo passou a ser feito a partir de casa. Até quem antes não ligava nenhuma a isso, agora tem que fazer as operações bancárias a partir do telemóvel, os trabalhos, relatórios e reuniões e até os serviços religiosos a partir do computador em casa. Em consequência, ter conexão em casa e INTERNET de banda larga passou a ser ocorrência habitual na generalidade das residências nas zonas urbanas.

Os provedores de serviços de telecomunicações e Internet tiveram que responder rapidamente a esta demanda “através da pandemia” abordando as necessidades imediatas de conectividade enquanto se preparavam para uma alta sustentada ambiente de demanda de rede. Ainda assim, muito ainda deve ser feito para abordar a exclusão digital que está longe de ser eliminada. Muito trabalho há ainda por fazer para que os cidadãos no Léua, Luchazes, Tandu-Zinze, Curoca ou Dirico possam ter acesso à Internet para responder às necessidades e procura de serviços online em rápida evolução.

Há planos concretos e a curto prazo para esse combate à exclusão digital. Projecta-se que as duas operadoras de telefonia móvel actualmente a operar em Angola e as duas que brevemente entrarão funcionarão em “rooming” entre si para que, baste a torre repetidora de uma operadora numa determinada área, para que todos os utentes das outras operadoras tenham acesso à conecção de dados e voz.

A limitada acessibilidade aos smartphones a preços compatíveis à generalidade dos cidadãos é outro factor de exclusão digital. Impõe-se portanto a sua rápida penetração no mercado Angolano. Outro desafio é a disponibilidade de dados e conteúdos acessíveis ao cidadão comum. Mas tudo isso terá que passar por recursos educacionais e de desenvolvimento de habilidades on-line enquanto ferramenta importante a ser usada na qualificação da força de trabalho e da comunidade nacional, ao mesmo tempo que oferece conteúdo mais relevante para o público-alvo. O conteúdo deve, por isso, ser disponibilizado nas línguas nacionais, tanto quanto possível. O ambiente propício para uma expansão de banda larga mais rápida é igualmente importante quando se considera os elementos do lado da oferta que suportam a penetração da banda larga. O aproveitamento do espectro não utilizado ou do espectro de alta demanda, juntamente com a facilitação de ponta a ponta dos processos de construção de sites e expansão de rede, garantirá que o acesso seja rapidamente removido como uma barreira ao acesso universal de banda larga. O acesso a vastos recursos do local, como postes de iluminação, pórticos de tráfego, telhados de fachadas de edifícios, etc. deve ser simplificado com maior cooperação entre os ministérios, como visto em países como China, Coreia do Sul e Japão, onde as redes 5G foram expandidas rapidamente.

Esse processo de inclusão digital, não só vai manter a capacidade de resiliência dos angolanos nesta fase complicada do “fique em casa” como em última análise vai acelerar a capacitação da mão de obra nacional e elevá-la ao nível dos outros países onde o on-line aumenta extraordinariamente o rendimento individual e colectivo dos funcionários. E a adaptação do espectro tecnológico vai afinal aumentar a competitividade de Angola em relação aos outros países com ênfase para os vizinhos da SADC e por essa via equiparar os níveis de “doing business”

POR: Celso Malavoloneke

Sociólogo da Comunicação