Editorial: inquérito às estradas

Editorial: inquérito às estradas

O argumento usado durante muitos anos era de que o importante, na altura, passava por ligar o país. Foi tudo na época do chamado canteiro de obras, apregoada aos quatro cantos com efervescência, uma vez que se acreditava que a circulação de pessoas e bens fosse uma constante e não um processo intermitente.

Os anos passaram, tal como já previam alguns engenheiros e arquitectos angolanos, as estradas no país deixariam de ter qualquer utilidade no mais curto espaço de tempo. A disponibilidade de materiais existentes contrastava com o que era aplicado, o que, desde já, prenunciava uma hecatombe com proporções gigantescas.

Quase duas décadas depois, um mesmo processo de reconstrução de estradas está em curso. São beneficiados os troços intervencionados no passado, alguns dos quais autênticos elefantes brancos que serviram unicamente para enriquecer inúmeras pessoas.

O que se precisa, hoje, é de um inquérito ao que se passou no Instituto Nacional de Estradas e noutros departamentos ministeriais para que os culpados sejam responsabilizados. Não se pode permitir que as contas bancárias destes continuem recheadas, enquanto o povo deve pagar a fatia pela dívida colossal à China.