É de hoje…Banquete rodoviário

Tinha sido uma conversa à beiramar, onde do alto de um edifício na Baía de Luanda se poderiam divisar as grandes obras que vão crescendo na Baixa de Luanda, entre prédios, estradas e outros imóveis.

A questão das estradas havia dominado a conversa. Também, pudera! À frente estava o engenheiro Paulo Nóbrega fi gura autorizada para falar sobre a matéria, não fosse ele um daqueles que já alertava, inúmeras vezes, para a tragédia e os pecados que alguns dos nossos e de outros pontos tinham feito com as nossas estradas.

Depois das informações avançadas pela televisão pública, sobre os descaminhos de dinheiro e a utilização de material impróprio, lembrei-me da referida conversa, porque os avisos sempre existiram.

Os polvos que se alimentavam no tal banquete eram vários, estendendo os seus tentáculos para vários organismos e personalidades, entre os quais ‘barões’.

Foi este envolvimento quase generalizado que fez com que os problemas assentassem em vários domínios, isto é, desde a realização dos projectos, a execução, a fiscalização…

Cada um, à sua maneira, procurava tirar as suas vantagens. Não importava sequer que a maior parte destas estradas, hoje deterioradas e a precisarem de recuperação, tivessem sido feitas com recurso a financiamentos ou linhas de créditos de países estrangeiros.

Hoje estamos todos a pagar estas dívidas, enquanto os responsáveis se passeiam, em iates e outros bólides no exterior, depois de terem prejudicado, gravemente, o país.

O que se passava nas estradas, embora se reconheça que algumas delas tenham sido bem feitas, indiciou sempre sobrefacturações e algum dolo na acção de várias entidades que dominavam o próprio sector.

E a forma como se trocavam, em pouco tempo, os responsáveis do próprio Instituto Nacional de Estradas de Angola (INEA) revelava que o importante eram outras preocupações e não somente o desejo ardente dos que mandavam nas Obras Públicas à melhoria da malha rodoviária do país.

O recuo ao engenheiro Nobrega tem uma razão de ser. Ele é daqueles que deseja que seja feita uma auditoria para se apurar os responsáveis. Para já, acredita-se que sejam construtoras, projectistas, fiscais, financiadores e até mesmo países que aconselharam algumas construtoras.