Trump planeia conceder indulto a ex-conselheiro Michael Flynn, visado na acusação à interferência russa nas eleições de 2016

Trump planeia conceder indulto a ex-conselheiro Michael Flynn, visado na acusação à interferência russa nas eleições de 2016

Não será, porém, o único indulto de Trump – que no início do ano já tinha comutado a pena de Roger Stone, acusado na mesma investigação. A investigação do F.B.I. a Flynn levanta algumas dúvidas. Donald Trump estará a planear conceder os habituais indultos antes de abandonar a Casa Branca, entre os quais ao seu antigo conselheiro de segurança nacional, Michael T. Flynn. A informação terá sido avançada pelo próprio Presidente norte-americano a “confidentes”, de acordo com a publicação de notícias Axios, que cita “duas fontes com conhecimento directo” das conversas em causa.

O jornal The New York Times também corrobora a informação, citando “uma pessoa a par das conversas”. O antigo conselheiro de segurança nacional de Trump, Michael Flynn, chegou a declarar-se culpado por duas ocasiões de ter mentido ao F.B.I. relativamente às conversas que tivera com um diplomata russo. As conversas decorreram durante a transição Presidencial de Barack Obama para Donald Trump, no final de 2016, e no início de 2017. O caso levou aliás à saída de Michael Flynn logo no 24º dia de Trump como Presidente. Flynn foi o único funcionário ou ex-funcionário da Casa Branca a declarar-se culpado durante o inquérito liderado pelo procurador Robert S. Mueller III, relativo à investigação sobre a interferência russa nas eleições presidenciais norte-americanas de 2016, que opuseram Trump a Hillary Clinton.

O antigo conselheiro de Trump discutiu com o embaixador russo Sergey Kislyak as sanções impostas pela administração de Barack Obama à Rússia, na sequência da interferência russa nas eleições americanas (pela divulgação de emails roubados ao Partido Democrata), e também os modos de estreitar futuramente os laços entre os dois países. O inquérito a Flynn, porém, motivou críticas, dado que este foi inquirido por agentes do FBI sem o seu advogado presente. A equipa de advogados do antigo conselheiro de Trump tentou retirar recentemente a confissão de culpa, queixandose de irregularidades processuais e de um condicionamento que teriam levado à declaração de culpado. O caso foi, entretanto, revisto e um procurador federal recomendou que as acusações fossem retiradas, considerando que o interrogatório do FBI no qual Michael Flynn mentiu foi “conduzido sem qualquer base legítima de investigação”.

O Departamento de Justiça norteamericano tentou retirar as acusações, mas a recomendação não foi acolhida pelo juiz responsável, Emmet G. Sullivan, que pediu aconselhamento a peritos externos. O caso estava, assim, ainda pendente. O meio de comunicação que avançou a notícia, o Axios, lembra que Michael Flynn é visto por muitos apoiantes de Trump como uma vítima de retaliação política levada a cabo pela administração Obama por Trump ter vencido as eleições. E recorda que já este ano Trump decidira alterar (reduzindo-a) a pena de Roger Stone, republicano que foi um dos seus principais estrategas de campanha nas eleições de 2016 e que foi acusado na investigação Mueller.

A acusação a Roger Stone tinha-se consubstanciado em sete crimes — um de obstrução à justiça, outro de condicionamento de testemunhas e cinco de prestação de falso depoimento — e imputava ao republicano a “posse de e-mails roubados” que fragilizaram a candidata democrata à eleição, Hillary Clinton. No caso de Michael Flynn, o The New York Times lembra que Donald Trump começou por distanciar-se do seu à época conselheiro aquando da renúncia deste ao cargo, mas mais recentemente descreveu-o como “um homem inocente” que para Trump serviu de arma a investigadores e políticos que tinham como objectivo “derrubar um Presidente”.