A Deus, maradona!

A Deus, maradona!

O relato da notícia podia ser feito assim — O cumprimento mais anunciado de toda a história dos cumprimentos vai finalmente acontecer. Pela primeira vez, depois dos acontecimentos mágicos de 1986 a mão de Deus vai encontrar o seu criador. Depois de uma vida espetacular e atribulada o polémico futebolista argentino Diego Maradona tem finalmente marcado o seu encontro com Deus. Saberemos por fim de quem era a mão que acabou com a Inglaterra. O golo foi marcado no Estádio Azteca aos seis minutos do segundo tempo.

O líbero inglês Steve Hodge ainda tentou afastar a bola chutando para o alto, mas ela tomou efeito e foi para dentro da área. Maradona então correu na direção do guarda redes Peter Shilton e, com o punho cerrado, pulou e, com a mão, jogou a bola por cima do adversário, que era vinte centímetros mais alto do que ele. O árbitro tunisiano Ali Bin Nasser validou o golo revoltando todos os ingleses.

Esse golo marcado co “A mão de Deus” passou a ser o símbolo e a metáfora daquele futebolista pequeno, herói e vilão que o vicio não deixou que fosse indubitavelmente o melhor jogador de todos os tempos. Ele mesmo um dia disse — “Se não me tivesse drogado, nem sequer se falava de Pelé.”

Foi no Reino Unido que tudo começou. “Chama-se Diego Armando Maradona, parece que tem um íman na ponta dos pés e fez gato sapato dos escoceses.” Lembro-me de ler esta frase no jornal a Bola, quando eu era puto e a Bola o trissemanário de todos os desportos. Foi nesse dia 2 de junho de 1979 que ouvi falar dele pela primeira vez. O primogénito mito do futebol global começou num jogo amigável em que a Argentina derrotou a Escócia por 3-1.

Depois Maradona foi o primeiro homem da era moderna de quem o mundo acompanhou a vida em direto. Foi o primeiro atleta universal que viveu connosco em casa. O primeiro de quem se souberam, viram e escutaram os golos e as glórias e se condenaram as drogas e as misérias à hora do telejornal. Maradona, foi o primeiro jogador de quem nenhum jogo foi transmitido a preto e branco e era hoje, 60 anos depois de ter nascido, um dos seres humanos mais conhecidos do planeta.

Nos próximos dias todos vão falar da vida incrível desse jogador genial e das paixões sobre-humanas que despertou. Os líderes internacionais e os famosos da terra vão publicar de novo as fotos que tiraram com ele e juntos vão lembrar a dor e a glória de um génio que não soube governar a sua vida. Eu quero lembrar-me apenas da alegria simples que era vê-lo jogar à bola — era incrível como nada o satisfazia!