Os “melhores” da FIFA em ano atípico

Os “melhores” da FIFA em ano atípico

Desde 25 de Novembro decorre a votação para escolha dos melhores jogadores e treinadores, em ambos sexos, nos prémios The Best FIFA 2020, cujos indicados dispensam apresentações, embora seja quase certo que os ícones da última década na “luta a dois” (LM10 e CR7) estejam longe de integrar o trio decisivo da cerimónia virtual prevista para 17 de Dezembro. Escolhi os Melhores Futebolistas e Treinadores, sem as reservas de outras épocas, porque 2020 é um ano anormal em quase tudo.

Sem o glamour de edições anteriores por conta da propagação do novo coronavírus que assola o mundo, os indicados aos prémios The Best, troféus que consagram os melhores futebolistas e treinadores deste ano pandêmico, foram já anunciados, com realce para o avançado Robert Lewandowski e o técnico Hans-Dieter Flick, ambos vencedores pelo Bayern de Munique da última Liga dos Campeões da Europa. Embora Lionel Messi (FC Barcelona) e Cristiano Ronaldo (Juventus de Turim), os maiores nomes da última década futebolística, estejam entre os nomeados, o facto de suas equipas nem sequer terem chegado à final da principal competição de clubes do mundo dificilmente conquistarão o The Best FIFA 2020.

Apesar de premiações baseadas em votações nem sempre sigam a lógica, Lewandowski/Flick (Bayern) e Mbappé/Neymar (PSG), os finalistas da Champions passada, partem em vantagem, num ano “quase” nulo em competições devido às limitações impostas pela circulação do vírus SARS-Cov-2, responsável pela paralisação da festa desportiva na plenitude das emoções anteriores à pandemia. No sector feminino, também está aberta a disputa e contrariamente noutras épocas em 2020 as indicadas jogam todas na Europa, cuja decisão está assente no crescimento da modalidade registado no “velho” continente. Um painel de especialistas escolhidos pela FIFA “construiu” as listas dos indicados, que estão agora definidas em quatro perfis de eleitores, com peso igual de voto, para determinação dos três finalistas de cada categoria. Além de jornalistas, entre os quais o colunista deste espaço, na decisão dos The Best FIFA participam seleccionadores nacionais e capitães.

O voto popular também. Os indicados para os prémios deste ano foram observados de 20 de Julho de 2019 a 7 de Outubro de 2020 (futebol masculino) e de 8 de Julho de 2019 a 7 de Outubro de 2020 (feminino), obedecendo o desempenho em campo e a conduta geral fora dos relvados, isto em referência aos futebolistas, enquanto os técnicos são analisados os resultados das equipas e comportamento global dentro e fora de campo. Neste ano desvirtuado e de incertezas em tudo, cada votante é chamado de 25 de Novembro até 9 de Dezembro a indicar, em ordem decrescente, os três melhores futebolistas e treinadores, sendo que o guarda-redes é escolhido à parte.

No essencial, cinco pontos para o primeiro lugar, três para o segundo e um para o terceiro, somando-se depois os pontos para determinar a classificação final. Caso haja empate de pontos no topo, vencerá quem tiver arrecadado mais indicações de primeiro lugar. O anúncio dos finalistas está previsto para 11 de Dezembro e a gala à distância (virtual) a 17 do mesmo mês. Como o voto é “secreto” até a realização da cerimónia de premiação, as minhas escolhas desta edição atípica do The Best 2020 serão públicas no site da Federação Internacional de Futebol Associado, mas por enquanto se podem avançar os favoritos em cada item, de acordo com sexo e categoria.

Por exemplo, Lucy Bronze (Inglaterra/Lyon/Manchester City), Delphine Cascarino (França/Lyon), Caroline Graham Hansen (Noruega/Barcelona) e Pernille Harder (Dinamarca/Wolfsburg/ Chelsea) figuram entre as mais visíveis do futebol feminino, ao passo que Messi (Argentina/Barcelona), Cristiano Ronaldo (Portugal/ Juventus) e Neymar (Brasil/PSG) se depender do voto popular têm acesso garantido à decisão na gala de premiação, pela legião de seguidores, mas na classe jornalística, onde a análise é mais profissional e deontológica, no trio talvez o brasileiro sobreviva, por ter chegado à final da Champions, podendo disputar o prémio com Robert Lewandowski (Bayern Munique), Mbappé (PSG), Salah (Liverpool) e outros.

Às balizas femininas concorrem ao prémio Ann-Katrin Berger (Alemanha/Chelsea), Sarah Bouhaddi (França/Lyon), Christiane Endler (Chile/Paris Saint-Germain), Hedvig Lindahl (Suécia/ Wolfsburg/Atlético de Madrid), Alyssa Naeher (Estados Unidos/ Chicago Red Stars) e Ellie Roebuck (Inglaterra/Manchester City), enquanto Alisson Becker (Brasil/ Liverpool), Thibaut Courtois (Bélgica/Real Madrid), Keylor Navas (Costa Rica/Paris Saint-Germain), Manuel Neuer (Alemanha/Bayern de Munique), Jan Oblak (Eslovênia/Atlético de Madrid) e MarcAndré ter Stegen (Alemanha/Barcelona) disputam no sector masculino.

Na luta pelo troféu de Melhor treinador de futebol feminino estão Lluís Cortés (Espanha/Barcelona), Rita Guarino (Itália/Juventus), Emma Hayes (Inglaterra/ Chelsea), Stephan Lerch (Alemanha/Wolfsburg), Hege Riise (Noruega/LSK Kvinner), Jean-Luc Vasseur (França/Lyon) e Sarina Wiegman (Países Baixos/Seleção neerlandesa). Marcelo Bielsa (Argentina/Leeds United), HansDieter Flick (Alemanha/Bayern de Munique), Jürgen Klopp (Alemanha/Liverpool), Julen Lopetegui (Espanha/Sevilla) e Zinedine Zidane (França/Real Madrid) fecham a conta masculina.

POR: Geraldo Quiala