É hoje…Vou de metrô

Corria o ano de 2005. Na altura ao serviço do extinto Semanário Angolense, via-me confrontado com um cenário caótico todos os dias quando pretendesse me deslocar à Vila Alice, onde se encontrava no quartel-general desta publicação. Por causa das chuvas que se abateram sobre a cidade de Luanda neste ano, eram inúmeros os cidadãos que preferiam caminhar para chegar aos seus locais de destino. Alguns metiam-se à estrada às três ou quatro horas da manhã para não enfrentarem o terrível engarrafamento na conhecida estrada de Catete.

Um quilómetro poderiam ser percorridos em três ou mais horas. O melhor era caminhar, com mochilas às costas, para não se atrasar. De tanto andar, se concorresse à São Silvestre daquele ano, talvez tivesse melhor sorte que alguns representantes angolanos à esta corrida de fim-de-ano. Passaram-se os anos, mas os problemas mantêm-se. Não na mesma proporção, embora se faça sentir todos os dias quando vimos centenas de pessoas apinhadas em paragens e outras galgando em direcção ao centro, onde estão concentrados as principais instituições da nossa Administração Pública. Desde aquela fase, há 15 anos, que me fui questionando sobre os prejuízos que o trânsito tem causado à nossa economia.

Longe do stress, que aparenta ser a principal consequência, as horas que passamos parados no trânsito influem na produtividade, arrecadação de receitas, na disposição dos estudantes e outros problemas. A persistência deste problema, que apoquenta as grandes cidades, merece sempre dos respectivos governos medidas que visem travar ou senão atenuar ao máximo. É neste contexto que encaro a pertinência da instalação do metro de superfície, alías, um meio de transporte que muitos dos críticos do referido projecto usam quando se deslocam ao exterior em serviço, para resolver problemas de saúde ou até porque transformaram estes países em suas moradias de eleição. Para muitos, a prioridade seria outra. Claro.

Fala-se em água, energia, saúde e outros serviços. Porém, não se pode descurar que os 149 quilómetros projectados, envolvendo as linhas Porto de Luanda-Cacuaco, Avenida Fidel de Castro Ruz- Benfica, Porto de Luanda-Largo da Independência e Kilamba-Largo de Independência, poderão servir de mola impulsionadora até para a melhoria de alguns dos serviços. Produzindo mais e arrecadando-se mais receitas, longe dos problemas crónicos que vivemos quase que diariamente, sobretudo quando São Pedro abre as torneiras, conseguir-seá a nível do Executivo e também dos próprios particulares rendimentos que lhes permitirão recorrer a melhores serviços. Compreende-se que os receios talvez estejam também por causa da aliança que mantivemos com alguns parceiros, mas prefiro acreditar que os alemães da Siemens não nos vão deixar mal neste projecto.