É de hoje…Preto ou branco

“Gosta de mim? Então aceite a minha escola”. Foi assim que uma pessoa conhecida encerrou ontem a sua passagem pelas redes sociais, particularmente o sempre polémico facebook.

O post trouxe-me à memória uma discussão salutar que tivemos nos últimos dias, em que um amigo colocou à mesa a discussão de um assunto antigo e não houve um consenso. Aliás, nem deveria haver. É normal que assim aconteça.

Em 1991, há quase 30 anos, Angola decidiu adoptar o Estado de Direito e Democrático, na sequência de uma guerra civil em que morreram milhares de angolanos. Naquela fase, pintava-se com aguarela e guache as cores que poderiam enunciar o que cada um representava.

Não era necessário se se cantasse “para gente melhor viver em paz, deixa falar a voz do coração e José Eduardo dos Santos melhor para Angola”, ou então que se apregoasse, aos quatro cantos “as calças novas em Setembro, o nosso Galo voa, Jonas Savimbi, doutor Savimbi, melhor para Angola”. À partida se conseguia taxar o que cada um representava. Alguns recorriam ao local de nascimento, passado militar e o resto cada um tirava a sua decisão.

Volvidos quase três décadas, esperava-se por alguma maturidade dos principais actores políticos, incluindo alguns secundários que se evidenciam na própria sociedade civil. E a catalogação mudou de palcos.

À medida que o tempo passa, torna-se cada vez mais difícil determinadas entidades esgrimirem as suas próprias opiniões, ou seja, pensar pela própria cabeça vai-se tornando, para uns, uma opção de sobrevivência e nunca a manifestação de ideias claras que exigem dos críticos uma abordagem à altura.

A sociedade vai exigindo a cada um a necessidade da escolha de um dos extremos. Mas nem sempre basta que uns se apresentem como reconhecendo as razões de um destes lados, porque o outro espera que este se alinhe, mas não questione sequer as razões de uma eventual diversidade.

Não há discussão ideológica. Nem política. Já não se procura, no mínimo, convencer o adversário político para que adira ao lado que supostamente se representa com base em fundamentos claros. Quanto mais o tempo passa, o que se submete a uns é uma simples escolha em que ou se adopta a cara ou a coroa ou então se escolha entre o preto e o branco.

Nesta fase, era expectável que os debates políticos, sobretudo, fossem mais salutares. Em que ser pró ou contra não representasse perigo, desde que um ou outro tivesse capacidade intelectual de levar a água ao seu moinho. A forma como se quer desenhar a nossa política é disso exemplo. Basta um exemplo crítico para de um dos lados os defensores de plantão ou espadachins se rebelarem. Mas nunca esgrimindo argumentos de razão.