É de hoje…EN-230

Há muitos anos, as Lundas representaram para muitos aquilo que é a ‘muamba’ que se faz entre Joanesburgo, na África do Sul, Lisboa, em Portugal, e Rio de Janeiro, no Brasil. Poucos se lembrarão do que significa o termo ‘kazabula’, nome pejorativo porque eram conhecidos os aviões soviéticos, entre os quais os famosos Antonovs que, diariamente, a partir do Aeroporto Doméstico e do Terminal Aéreo Militar, se deslocavam para as ricas terras diamantíferas.

Já se passaram mais de duas décadas desde aquele período em que se conseguir um lugar num daqueles aviões militares ou nos outros russos, que compunham as companhias de avição que surgiram de forma ad hoc e como cogumelos, era um privilégio para muitos. Era assim que se conseguia levar comida, roupas, bebidas e outros bens para o Leste do país.

Apesar do tempo, hoje, certamente, alguns deputados do PRS lembrar-se-ão de um episódio, no início dos anos 2000, quando nos dirigimos ao aeroporto para uma visita às Lundas e sentiu-se que o avião não oferecia qualquer garantia de segurança, depois de termos encontrado os pilotos com chave de fenda em punho e a tentarem solucionar algumas avarias. Preferimos recuar para dias depois embarcar numa aeronave da Sociedade de Aviação Ligeira (SAL).

Desde então, a ida às Lundas não se diferencia tanto. Ainda continua a ser um martírio, sobretudo para aqueles que fazem da estrada o único caminho a trilhar. Correram informações sobre a entrada em cena dos novos aviões, cujos vôos devem ser retomados agora pela TAAG, mas, ainda assim, por mais que se pretenda acelerar o acesso e o desenvolvimento àquela parcela do país, apenas as estradas irão desempenhar um papel fulcral.

Por mais críticas que se façam, sobretudo nesta fase, as esperanças continuam e continuarão depositadas numa reabilitação eficiente da estrada nacional 230. Uma busca rápida no wikipédia indica que ‘a Estrada Nacional n.º 230, mais conhecida pelo seu prefixo EN-230 e como Estrada Luanda-Catete, é uma rodovia do tipo transversal angolana, que atravessa o país de Oeste a Leste. Segundo as disposições do plano nacional rodoviário, liga Luanda, na província de Luanda, à vila de Chiluage, na província da Lunda-Sul’.

Garante ainda a pesquisa que, ‘com cerca de 1100 Km de extensão, é o principal eixo da Região Metropolitana de Luanda, além de ser uma ligação importante da capital com o interior do território nacional. Dá acesso ao porto de Luanda, ainda servindo de via auxiliar ao Caminho de Ferro de Luanda’. Tendo em conta a sua importância, é necessário que se criem condições de acompanhamento para os trabalhos em curso. Os camionistas e outros automobilistas que trilham por aquelas paisagens começam a ficar reticentes quanto ao que se faz. O desenvolvimento do Leste está também dependente desta importante via de comunicação.