Editorial: Arrastão

Editorial: Arrastão

A tese da perseguição política tem sido alimentada por diversos sectores políticos, empresariais e jornalísticos sobre os casos em curso na justiça angolana. Os mesmos que durante uma fase da vida deste país acusavam autoridades de nada fazerem para estancar o cancro da corrupção apresentam-se como paladinos de uma suposta elite que se acha intocável.

Insistem na tese da perseguição, mas não se desdobram sequer em demonstrar se as acusações que são imputadas a alguns dos antigos gestores procedem. A pretensa solidariedade que alguns querem demonstrar só é visível quando se trata de personalidades até então bem posicionadas.

Não o fazem quando está em causa administradores municipais, comunais, directores nacionais ou gestores de segunda linha, ao que parece identificados na consciência destes como ‘peixes miúdos’. Mais do que justiça, para alguns o mais importante é que se passe uma borracha sobre o passado, como se os efeitos de tais prejuízos não contassem.