É de hoje…Obreiros da paz

Há alguns dias, durante na saga “Trilhos da Independência”, procuramos reviver as memórias de alguns antigos combatentes. Fizemo-lo escutando integrantes do extinto Exército de Libertação Nacional de Angola (ELNA), das Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA) e das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA).

Desconhecidos, se calhar por alguns integrantes da nova geração, os três exércitos pertenceram, respectivamente, à FNLA, de Holden Roberto, à UNITA, de Jonas Savimbi, e ao MPLA, com Agostinho Neto e posteriormente José Eduardo dos Santos.

Foi a negociação – e junção- inicial entre as duas últimas forças, FAPLA e FALA, que deu lugar às Forças Armadas Angolanas, a conhecida FAA; embora num determinado período da sua história tivesse assistido a deserção de algumas figuras preponderantes que a UNITA, encabeçada por Jonas Savimbi, enviara a Luanda.

É esta organização que recebeu ontem, nas suas instalações , o Presidente da República, João Lourenço, que, num rasgo de elogios, considerou os seus integrantes como sendo aqueles que “melhor compreenderam o alcance da paz e da reconciliação nacional entre os angolanos”. Passados 18 anos desde o alcance da paz, as FAA têm sido vistas por muitos como uma organização inepta, por já não existir o ribombar de canhões nem as escaramuças que fizeram com que milhares de cidadãos abandonassem as suas casas e os locais de trabalho. Disse – e bem – o Comandante –Em–Chefe que “sem Defesa e Segurança nacionais não há economia, não há segurança para o investimento privado”.

Aliás, prosseguiu João Lourenço, “o facto de as maiores potências económicas do mundo serem também as maiores potências militares justifica a afirmação e se aplica ao universo de todos os outros países”.

Há algumas semanas, durante a sequência de entrevistas, o tenente general na reforma Manuel Luís Neto ‘Kassapa’, neste jornal pressagiava o que se disse ontem: “sabes que naquele período as pessoas diziam que as forças armadas não eram produtivas. Mas tivemos a oportunidade de demonstrar que não. Produzimos a paz e estabilidade para se poder fazer o resto. Enquanto não tiver paz e estabilidade não há desenvolvimento sustentável…A nossa produção é a paz”.

O que se espera hoje é uma reorganização e uma maior afirmação em ambiente de paz, com modernização e atenção a todos os outros sectores em que devem ser, sim, chamados quando necessário. E em períodos de calamidade, como a que vivemos e noutras que se passaram, as FAA terão, perdido, uma oportunidade soberana de demonstrarem muito mais do que valem. Por exemplo, nem mesmo o seu papel na edificação dos hospitais de campanha, controlo das fronteiras e acesso às cidades e a participação no processo de registo civil, em algumas parcelas, tem sido suficientemente apresentada aos angolanos.