Miguel Barros: “A minha pintura é o fio condutor de tudo o que me faz sentir alerta e vivo”

Miguel Barros: “A minha pintura é o fio condutor de tudo o que me faz sentir alerta e vivo”

Como tem sido para si o ano de 2020 em termos de produção artística e o que mais o tem marcado?

Este tem sido um ano de desafios. No início desta pandemia, fiquei assustado e angustiado. Ninguém sabia nada, não se entendia o que se passava, a contra informação era terrível, tudo nos levava a querer que estávamos a viver um filme de ficção e agora real, como se o apocalipse tivesse chegado. Depois, com tempo, as coisas entraram numa certa normalidade.

Afinal o ser humano tem uma capacidade infinita de se adaptar às maiores diversidades de vida, e ainda bem, porque a realidade é esta, na natureza extingue-se quem não se adapta e, afinal, embora o homem esteja completamente dissociado da natureza, o facto é que não deixa de fazer parte deste todo que somos nós e ela, a natureza!

A minha realidade relativamente a esta questão do “terrível” ano de 2020 é que, agora, quase chegado ao fim deste maldito ano, tenho que dizer que, de facto, a minha rotina pouco se alterou, talvez a grande mudança tenha sido as viagens que fazia muito, sempre que podia, mas de resto tem sido um ano de que jamais quero esquecer, ou por e simplesmente anular da minha memória, nada disso! Tenho aproveitado este 2020 vivendo em grande retiro, ou resguardo obrigatório imposto pelas autoridades, mas com grande empenho em mim e nos que me rodeiam.

Este tem sido um ano de restruturar com tempo o meu tempo, o meu trabalho e relações, tenho vivido cada dia o melhor possível e de forma disciplinada e com rigor estes tempos. Por exemplo, todos os dias faço exercício físico, tenho cuidado e atenção à minha alimentação, deixei-me de excessos e fantasias que me pareciam essências e, afinal, eram meras distrações, e tudo isto se reflete no que sou, no meu trabalho e na enorme vontade de viver e de viver bem comigo próprio, com o meu eu, porque este me parece ser o maior bem de nós, o encontrar um equilíbrio entre as coisas e as pessoas, sendo que a minha pintura é o fio condutor de tudo o que me faz sentir alerta e vivo, consciente do que me importa e do mais relevante para mim, os outros a quem quero que tenham tudo de bom e bem!

Penso que este momento da pandemia e confinamento pode ser um tempo de enorme privilégio e desenvolvimento de cada um de nós. É-nos dada a oportunidade de discernir o que realmente nos é fundamental sem apelo nem agravo. A minha escolha foi essa, em tempos difíceis aprender a saber gerir o nosso potencial e tentar entender o que, de facto, desejamos e pretendemos na vida! N

ão é fácil, bem sei, mas é uma forma de sublimar este mal que se vive e restruturarmo-nos para melhor, mais humanos, mais generosos e nunca perder a esperança de que isto é um momento passageiro e que, num instante, passará, mau grado será se não se tiver aprendido nada com esta experiência e tirar a parte boa para ser usada por todos em partilha boa e útil. E, assim, todo o meu trabalho e o meu dia-a-dia é apenas isto que vou pensado, e vou tentando projectar nas minhas pinturas, sempre acreditando que o dia de amanhãs será melhor!

 

 

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