é de hoje… Fundo perdido

O recado chegou-nos de Benguela. Num gesto digno de reconhecimento, em que, infelizmente, poucos souberam dar o devido tratamento. O Executivo angolano apresentou um número significativo de ex-militares com tractores para que fomentem a produção agrícola. Num país em que o crédito é extremamente caro, a julgar pelas taxas de juros e o não acatamento às orientações do próprio Executivo, o pagamento será sempre um assunto para discussão.

As listas divulgadas, de forma apócrifa, por entidades supostamente ligadas a alguns dos bancos públicos sempre demonstraram a existência de dois ou mais mundos no sistema bancário angolano. O primeiro em que uns sortudos chegavam até com bilhetinhos, levando consigo milhões, e o segundo em que, mesmo cumprindo as exigências bancárias depois de vários dias, tempo, Sol e suor, nem sequer os tostões amealhavam.

O financiamento do empresariado angolano nunca esteve assente na capacidade de quem mostrava os maiores e melhores resultados, mas, sim, dos que se apresentavam claramente como os principais defensores do templo, naquilo a que se apodou anos depois como acumulação primitiva de capital.

Com o andar dos anos, por mais que se concorde e discorde, mesmo numa economia de mercado, percebe-se claramente o fracasso de tal medida. Um selecto grupo de indivíduos, escolhidos a dedos, teve às mãos parte deste mesmo país. E os resultados são catastróficos. Na verdade, as sociedades avisadas têm procurado discutir as razões dos seus fracassos. No nosso caso, depois de um esforço suplementar, ainda se tenta saber as razões que nos fizeram posicionar-se nos últimos postos, mas poucos querem assumir tal encargo.

Mais do que se continuar a insistir naquilo a que podemos considerar casos perdidos, o que é normal dadas as dificuldades ainda do presente, por que razão não fazer dos bons exemplos modelos para o futuro. Pode até não ser consensual, mas há caminhos e ramos deste país que conhecem aqueles que mais contribuem para determinados sectores e têm condições para fazer crescer a nossa economia e, consequentemente, para o aumento dos postos de trabalho.

Loucura? Estarão a imaginar alguns. Mas não. As crises aguçam o engenho de qualquer um, mas nem sempre foi assim. Houve épocas no mundo em que alguns países tiveram de contar com o toque de Midas, até de sectores da inteligência. Francis Sanders, no seu livro ‘Quem pagou a conta’, demonstra muito bem o campo usado e os ganhos hoje, longe dos eufemismos.

O que muitos teimam em não ver, por exemplo, é o papel que a própria CIA jogou para o surgimento de algumas das maiores empresas norte-americanas, longe dos cenários de Hollywood usados para nos entreterem. Há quem discorde. Mas foram as soluções usadas por alguns países, entre os quais o Brasil. Os fundos perdidos existiram. Camuflados ou não, em alguns locais surtiram efeitos. fundo