É de hoje…Em busca de um novo normal

Quando se apresentou aos angolanos como o reformista à imagem e semelhança de Deng Xaoping, como o fez numa entrevista, na altura, ao Presidente João Lourenço, não faltavam razões de sobra para pensar num novo país.

Um país em que tudo pudesse dar certo, a julgar pelas propostas apresentadas aos angolanos, da qual ainda sobressai, até aos nossos dias, a promessa dos 500 mil postos de trabalho. Já lá vão três anos desde que substituiu José Eduardo dos Santos, tendo até apresentado resultados positivos no seu primeiro ano de mandato, independentemente da crise económica herdada dos anos anteriores.

A baixa no preço do petróleo foi a primeira pedra no caminho. A esta associou-se a pandemia da Covid-19 que trouxe consigo resultado catastróficos para a economia, provocando encerramento de empresas e um aumento galopante do desemprego. Longe dos desaires que alguns atiram à política económica, a pandemia tornou-se no principal obstáculo para alguns dos propósitos do Executivo, absorvendo grande parte das receitas até então existentes para que a doença não atingisse proporções catastróficas como se observa em alguns países do mundo, incluindo os mais desenvolvidos. Há dias, quando reagia às críticas no seu próprio país, o Brasil, o pouco simpático Presidente Jair Bolsonaro chamou atenção dos seus concidadãos sobre o milagre que terá ocorrido em África.

No início da pandemia, perspectivava-se uma hecatombe tendo em conta o deficitário sistema sanitário existente, havendo até estimativas de alguns experts que acreditavam que a esta hora o continente berço da humanidade se transformasse numa vala comum. Concordar com Bolsonaro não acontece todos os dias.

E, na questão da Covid então, que o próprio apelidou inicialmente como sendo uma ‘gripezinha’, pior ainda. Mas, ainda assim, ficou subjacente nas suas palavras o facto de as autoridades africanas terem percebido inicialmente da gravidade do que se passava na Europa, América e na Ásia para que se tomassem as medidas adequadas. Ao ver aprovado ontem pelo Conselho de Ministros o Plano Nacional de Vacinação Contra a Covid-19, percebeu-se que as preocupações do Executivo não estão distantes daquelas que vão sendo delineadas noutros pontos do mundo.

O início de uma campanha e a redução das mortes serão importantes para que o Executivo, encabeçado pelo Presidente João Lourenço, possa dar seguimento aos projectos gizados para esse seu primeiro mandato, embora 2021 se afigure como um momento de pré-campanha dura. Sem pandemia ainda é possível reverter algumas das acções que vão sendo cobradas nas ruas pelos jovens e não só.

Um novo normal é também um momento em que se poderá definir muita coisa em Angola, até mesmo para aqueles que pensavam estarem perdidas as hipóteses de um recomeço e de um período de concretização das promessas feitas.