Carta do leitor // entrevista de Joana Tomás

Muito se especulou sobre a sua escolha para dirigir a OMA. Houve quem falasse da sua militância e até aqueles que se mostravam desfavoráveis aos meandros que terão ditado o surgimento do nome para o congresso que se avizinha. A grande verdade é que ontem, na sua primeira grande entrevista como candidata ao cargo, Joana Tomás demonstrou que não teve o seu nome na berlinda por acaso.

Ontem mesmo, um dia depois de ter aparecido na TV Zimbo, conseguiu mobilizar uma grande falange de apoio, principalmente entre aquelas que olham para o feminismo e as causas das senhoras como suas batalhas. As manifestações de apoio, sobretudo de figuras bem posicionadas do jornalismo, da sociedade civil, do mundo do direito e de outros pelouros, evidenciam que, mais do que um mero processo de eleição ou escolha da substituta de Luzia Inglês.

Mais do que a mensagem que alguns pretendiam desconstruir, como se o machismo e a intolerância masculina, em que muitos tentaram se apresentar ontem como autênticos virgens, a grande verdade é que os homens apresentam-se como estorvos para a promoção de muitas mulheres. Dizer isso nunca deveria ser um problema para os puritanos que pretendiam lavar a alma quando ainda persistem problemas vários que não permitem até que se duvide disso. O que mais marcou é que Joana Tomás conseguiu passar a sua mensagem.

O facto de ter feito com que as redes sociais se cingissem, numa única manhã, ao que disse demonstra já uma vitória da sua equipa e a narrativa que a própria construir. Já dizia um músico de que falem bem ou mal, mas é de mim que estão a falar. E no caso da jornalista, não há dúvidas de que a mensagem passou, até porque pela arte do falar e do fazer não seriam as camaras que a deixariam em maus lençóis. Com certeza que o futuro nos reserva uma boa peleja entre as responsáveis das principais organizações femininas. E a OMA tem uma opção de rejuvenescimento de também de mostrar o quanto vale.

Samuel Alves Luanda