Hernany Pena Luís: “Cerca de 65 empresas vão morrendo diariamente”

Hernany Pena Luís: “Cerca de 65 empresas vão morrendo diariamente”

As micro, pequenas e médias empresas (MPME) foram as mais penalizadas pela Covid-19. A ONU recomenda o Governo a apoiá-las, para garantir os empregos. Qual é sua opinião?

As micro, pequenas e médias empresas acabam por ser as que dão mais oportunidades de empregabilidade, por não exigir um grande rigor em termos de contractação e por estarem inseridas em segmentos onde muito facilmente as pessoas podem reinventar-se, tal como podem desaparecer. A sua natureza torna-as muito vulneráveis, porque operam com um nível de capital muito baixo e, nalguns casos, capitais próprios, nesse ambiente onde não existe uma política, pelo menos em Angola, muito bem clara para que as MPME vão beneficiando de alguma ajuda financeira mais consistente.

E no actual cenário…

E nesse cenário pandémico, os últimos dados a que tivemos acesso dizem que, em média, cerca de 65 empresas vão morrendo diariamente, decorrente de vários factores. Entendo que há, aqui, determinados constrangimentos que esse segmento de empresas vão enfrentando, que vão depender das políticas que o próprio Executivo vai ter que gizar nos próximos tempos, por forma a protegê-las. Estamos a falar, exactamente, do registo de propriedade, de terras, de imóveis, que muitas delas começam com esses bens e que acabam sendo disponíveis para poder barganhar junto da banca. Sem alguma garantia palpável, os bancos vão colocando alguma resistência e cepticismo para apoiar algumas actividades económicas.

O Presidente João Lourenço disse que o Governo angolano tem em curso medidas para atrair mais investimentos dos Estados Unidos da América, durante uma mesa redonda com o Conselho Consultivo do Presidente americano sobre negócios em África. Que efeito esse apelo pode ter na atracção de investidores fora do petróleo?

O apelo que o Presidente da República faz é interessante e não poderia ser diferente, precisamos de investimentos. Mas a verdade é que ,se olharmos para o histórico do investimento americano em Angola e em África, estão e sempre estiveram centrados no sector petrolífero (…). Não houve um processo evolutivo em termos de relações económicas entre os dois Estados. Estamos num ambiente diferente, o Presidente João Lourenço é caracterizado, no Ocidente, como reformista e traz um discurso de que quer investimento.

Que estratégias devem ser adoptadas para que dessa mesa redonda se produzam frutos?

É um painel diversificado, seguramente com empresários de vários sectores. A visão macro do Presidente está lançada. Agora, é preciso ver o perfil de cada empresário, de modo a indicá-los nos sectores que podem investir, em função da sua cultura produtiva, para que o empresário perceba onde vai investir e os benefícios fiscais que tem.

 

 

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