MULHERES COM ALMA

MULHERES COM ALMA

Em toda a história de Angola, não há memória de um ano recheado de incertezas em que algumas das decisões mais importantes para o presente e o futuro do país tenham tido a marca indelével de um número considerável de mulheres de reconhecida valentia. Em boa verdade, elas fizeram a diferença neste “ano horribilis”, diante do vírus desconhecido que escancarou as fragilidades da humanidade e desafiou os avanços da ciência, abalando os alicerces das grandes potências e os tentáculos das corporações que dominam a economia mundial. Aqui, entre nós, com todas as mazelas do sistema nacional de saúde, quem melhor soube amparar as famílias e reinventar os meios de subsistência foram as mulheres.

De diferentes origens e tendências, dos mais variados ramos de actividade e em todos os recantos da bela pátria angolana, elas foram capazes de regenerar a essência da vida. No início do ano, quando o novo coronavírus ganhou a dimensão de pandemia planetária e as autoridades angolanas tomaram a sábia decisão de encerrar as fronteiras nacionais em tempo útil e decretar medidas de excepção, quem deu a cara na primeira linha, em nome do Governo, como não podia deixar de ser, foi a ministra da Saúde.

Provavelmente, outro quadro nacional investido nas mesmas funções e consciente das suas responsabilidades, teria desempenhado cabalmente o seu papel. Afinal, os governantes não fazem favores aos governados, nem consentem esforços extraordinários porque fazem parte de um governo eleito para resolver os problemas do povo. Mas esta verdade universal não retira o mérito à cardiologista SILVIA LUTUCUTA, uma mulher entre vários decisores sem grandes alternativas perante um inimigo invisível e altamente contagioso. A Ministra da Saúde e a sua equipa, donde emergiu o já celebrizado doutor FRANCO MUFINDA, corporizaram em toda a sua plenitude a responsabilidade de mobilizar o país para a nova realidade. Era urgente preparar as populações para a adopção de novos comportamentos que mudariam para sempre os hábitos e costumes que caracterizam a nossa angolanidade.

Distanciamentos, confinamentos, lavagem frequente das mãos com água e sabão e desinfecção com álcool em gel, etiquetas para a tosse e espirros inevitáveis, quarentenas institucionais e domiciliares, cercas sanitárias e máscaras faciais que quase atentaram contra a beleza da mulher angolana. Mas salvaram vidas. Era imperioso reforçar as unidades de cuidados intensivos, multiplicar os leitos hospitalares, erguer e apetrechar novas estruturas, acelerar a importação de testes e equipamentos de protecção individual e, acima de tudo, capacitar e municiar os profissionais de saúde com novos protocolos e ferramentas para uma melhor abordagem do problema que se agigantava sem solução à vista. Só assim foi possível destacar na primeira linha uma legião de profissionais destemidos como a especialista em medicina interna ENGRÁCIA MOURINHO, a primeira mulher a dirigir centros de tratamento da Covid-19, bem assim como a bióloga CORINA PEDRO, que esteve durante seis meses sem ver os filhos para liderar o laboratório de biologia molecular do Hospital Esperança. Entre as guerreiras de fina fibra, destaca-se igualmente a coronel médica MARIA JOSÉ, “comandante” do laboratório de biologia molecular do Hospital Militar Principal.

No pico da pandemia, a classe médica foi abalada com a notícia do último suspiro da neurologista MARIA ANTÓNIA JACINTO SEBASTIÃO. Membro fundador da Sociedade Angolana de Neurologia e docente do Instituto Superior Técnico Militar, a coronel médica Maria Antónia tombou na frente de combate contra a Covid-19, honrando o juramento prestado na Faculdade de Medicina e nas Forças Armadas.

 

 

 

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