É de hoje…Nos meandros da homenagem

Normalmente, são os políticos que franqueiam com facilidades os corredores do Palácio da Cidade Alta. Este ano, por duas vezes, o Presidente João Lourenço abriu as portas da sua casa de função para receber entidades até então ‘afastadas’ e que se destacam nos ramos empresarial, social e até mesmo filantrópico.

Depois de médicos, militares, pilotos e camionistas, anteontem foi a vez daqueles que, mesmo nesta fase de pandemia, não têm descansado para que os angolano tenham à mesa comida e outros bens essenciais.

Foram mais de 60. A mim, uma vez mais, chamou atenção a presença de jovens que fizeram do campo, da agricultura, agro-pecuária e outras áreas conexas suas carreiras. Por isso, foi bom ver a Elizabeth Santos, o Marito Sikila e o Alfeu Vinevala.

Destaco estas três personalidades por serem aquelas que mais tenho acompanhado as suas trajectórias. Leio sobre um e outros a partir do contacto directo que fomos tendo. Da Elizabeth Santos, independentemente do sobrenome que carrega, é mesmo alguém com uma veia empreendedora de invejar. A forma como se envolve em cada projecto é assustadora.

Sikila, o famoso ‘Mister Favorável’, é a prova de que muitas vezes um ‘toque de mágica’ pode transformar as nossas vidas. Estudou uma coisa e é um homem forte e sucedido noutro domínio. Abandonou tudo pelo campo, sendo hoje um grande produtor de hortícolas e tubérculos, uma experiência que já vai passando aos filhos.

Alfeu é o típico homem do campo que não precisa da cidade para se realizar. É o reflexo de que o êxodo um dia poderá ser inverso. Da cidade para o campo. É um dos maiores produtores de batata-rena deste país . E hoje até se aventura na produção de trigo em larga escala. A homenagem a estes produtores – assim como aos mais velhos presentes no evento – não só representa um reconhecimento pelos seus feitos, mas também a afirmação de que se bem explorados os jovens poderão ser, sim, os maiores empresários agrícolas, empregadores de outros milhares de angolanos e construtores de fortunas.

Contrariamente à carga pejorativa que se pretendeu atribuir ao apelo do ministro da Economia e Planeamento, Sérgio Santos, para que os jovens vissem também no campo a solução para a problemática do emprego, os homenageados reflectem, positivamente, o sucesso que se pode encontrar na agricultura, pecuária e agroindústria.