É de hoje… Baralhar

A dois anos das próximas eleições gerais, as expectativas dos cidadãos são as de que o partido no poder consiga, no mínimo, realizar as promessas feitas durante a campanha de 2017. Com a pandemia ou não, que já contabiliza 17 mil infectados pelo país, os governantes deverão se desdobrar para que consigam satisfazer as necessidades colectivas. Porém, a forma como se nomeiam muitos responsáveis acaba também por deitar por terra projectos e processos, tendo em conta que entre nós parece não existir a cultura de se implementar aquilo que foi bem gizado pelos anteriores inquilinos dos cargos.

Esta reflexão vem a propósito das mexidas efectuadas, recentemente, em Luanda, pela governadora Joana Lima, em que as peças do xadrez, exceptuando Cacuaco, que tem à cabeça Auxílio Jacob, e Viana, com Fernando Manuel, a governadora acabou por mexer em quase toda a estrutura que já funcionava nos municípios e determinados distritos. Normalmente, quando ocorrem as nomeações, muitos dos substitutos tendem a refazer todas as contas, dando a impressão de que nada esteve a ser feito. No caso de Luanda, quando se é nomeado um novo governador já se sabe que haverá mexidas em quase todos os administradores e também uma nova direcção para a Empresa de Limpeza e Saneamento de Luanda.

Mais do que populismo, como se viu da parte de alguns dos nomeados, municípios como Belas e Cazenga precisam, na verdade, de criatividade para se reverter a situação calamitosa em determinadas áreas. Com uma juventude mais exigente, os habitantes destas zonas esperam ver os seus problemas resolvidos longe de experimentos que venham a dar resultados num futuro muito distante. Com 2020 a encerrar, até porque restam poucos dias para isso, 2021 será, seguramente, um ano mais agitado em termos de confrontação política, a julgar pelo clima pré-eleitoral.

Será, certamente, um período de cobrança em termos de resultados das promessas feitas pelos dirigentes do MPLA há três anos, quando os angolanos lhes confiaram mais um mandato à frente do destino do país. O ideal seria que alguns dos recém-nomeados não se entretessem em novos projectos, como tem acontecido. As boas ideias dos antecessores deveriam ser olhadas de outra forma, porque o tempo não está muito a favor. Num abrir e fechar de olhos estaremos em 2022, o ano em que se deverá solicitar, uma vez mais, aos angolanos, apoio, mas também será questionado sobre as promessas não cumpridas.