É de hoje…Assaltos na Universal

Ao que tudo indica, lá vão os tempos em que quem quer que fosse pudesse abusar dos angolanos como quisesse, amparando-se, bastas vezes, na pele de obreiro ou servidor de Cristo. Houve uma fase em que, em nome da Igreja Maná, o apóstolo Jorge Tadeu, no auge de uma briga por causa de um montante oferecido pela Sonangol, pretendia que este valor fosse enviado ao exterior para suprir algumas dificuldades. Foi um religioso cubano, até então seu indefectível, que travou o ímpeto do líder. Não aceitou enviar o dinheiro, que julgava mais útil ser investido em Angola, através da construção de uma escola ou posto médico.

Os últimos meses estão a ser dominados pela crise na Igreja Universal, cujo líder, Edir Macedo, acaba de perder uma das batalhas pelo controlo da congregação, hoje nas mãos dos angolanos. Mais do que uma questão de fé, os meandros que envolvem esta árdua batalha, hoje declaradamente entre angolanos e brasileiros, envolve milhões de dólares que eram todos os anos arrecadados da forma mais vil.

Muitas vezes, à custa de milagres e fogueiras santas extremamente lucrativas, os líderes enchiam os bolsos dos mais abastados em detrimento dos mais desfavorecidos. A vigília ainda existente, à entrada do condomínio Laranjinhas, em que um cidadão reclama por uma casa e mais de 700 milhões de Kwanzas, poderá ser a ponta do iceberg de um processo em que outras pessoas se irão manifestar.

Por isso, longe da peleja que se poderá observar na justiça, é imperioso que as autoridades redobrem esforços para que se proteja não só as instituições agora sob a alçada dos angolanos, assim como o património e documentos existentes para que amanhã se possa saber, na realidade, quais eram os rendimentos e acções em que os anteriores gestores da Igreja Universal do Reino de Deus andaram envolvidos.

Os dois assaltos, em simultâneo, nas catedrais desta igreja no Morro Bento e em Malanje, num curto espaço de tempo, deve merecer a atenção das autoridades policiais para se perceber o que afinal os meliantes perseguem.

A coincidência entre estas incursões e a tomada da organização pelos angolanos – hoje já com apoio de alguns pastores brasileiros – levanta inquietações. A julgar pelo modus operandi e o número de envolvidos, não parece que sejam apenas indivíduos interessados em eletrodomésticos ou algumas quinquilharias.