É de hoje… PRODESL, David Mendes e arredores

Para uns, deve ser uma das figuras mais controversas da actualidade política angolana, sobretudo depois da sua passagem pelo Pajoca, Partido Popular e, ultimamente, pela UNITA. Anteontem, durante o habitual espaço Revista Zimbo, da televisão com o mesmo nome, o advogado David Mendes foi assertivo ao dizer que muito mais não se fez em relação à produção nacional por falta de vontade das próprias autoridades.

As intempéries criadas pela crise económica, que já vem desde 2014, e alicerçadas pela Covid-19, que surgiu em 2019, na China, empurraram o país para uma opção tendo-se visto na produção interna uma das vias para a sua sobrevivência. Mesmo que ainda não seja suficiente, aos poucos, vai-se substituindo a tese doentia de que somos um país assente na importação.

Se assim fosse, como ainda fazem crer determinados sectores lobistas, razões não existiriam para que o próprio Executivo substituisse 10 produtos tidos como essenciais, mas que o país vai aumentando a sua capacidade de produção a cada dia que passa. Ontem, o ministro Sérgio Santos, da Economia e Plameamento, apresentou o seu balanço sobre o Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (PRODESI). Só este ano, foram financiados 661 projectos, na ordem dos 55,1%, avaliados em 727 mil milhões de Kwanzas.

Citado pela Angop, de acordo com o governante que apresentava os dados do Prodesi de 2020, mil e 199 projectos foram submetidos à banca, dos quais 661 foram aprovados e 191 estão em negociações, permitindo a criação de 54 mil e 241 empregos e o registo de 4 mil produtores.

Conforme o ministro da Economia e Planeamento, a implementação do Prodesi permitiu a diminuição das importações, com a substituição de produtos importados pela produção nacional Quando se adoptou, por exemplo, a medida de restrições na importação, foram vários os sectores que se manifestaram contrários, porque julgavam não ser ainda possível que tal acontecesse. Passados alguns meses, por mais que se discorde, está mais do que evidente que os propósitos do Executivo vincaram positivamente, mesmo que ainda se assista a um défice no escoamento e na recuperação das estradas.

São poucos os produtos que nos obrigam a ter de recorrer à importação, como num passado recente, embora prevaleçam aqueles cujos paladares só se compadecem com o que vem de avião e seja mais caro. E desta vez, David Mendes não esteve errado.
ProDesI