2020 ano fatídico para a classe artística angolana

2020 ano fatídico para a classe artística angolana

Pouco ou quase nada se fez neste ano de 2020, que marcha aceleradamente para o fim, em termos de produtividade artístico-cultural, sobretudo, espectáculos devido ao Estado de Emergência, decretado pelo Executivo em Março último, o que levou vários artistas ao confinamento social de modo a evitar-se a propagação do novo coronavírus. Esta situação, apesar de preventiva, deixou a classe artística, músicos, actores, Dj’s e promotores numa situação de indigência à procura de alternativas aos palcos.

Muitos deles, foram obrigados a cancelar os seus contratos e concertos que já estavam agendados e lamentavam perdas irrecuperáveis. Os dias passavam e nada se resolvia, aumentavam-se as suas difi culdades e os artistas desesperados. Em jeito de solidariedade, o então governador de Luanda, Sérgio Luther Rescova, procedeu através da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC), a distribuição de cestas básicas para “atenuar a carência” que muitos enfrentam.

Espírito criativo Quem também não ficou indiferente ao quadro indigente, foram os jovens músicos, que com força anímica, harmoniosa e união, movidos pelo espírito criativo, decidiram promover actuações ao vivo nas redes sociais para manter contacto com o público e angariar fundos. E nesta acção solidária, nem tudo foi fácil como parecia, segundo os jovens, num país onde o custo da Internet é bastante elevado.

É no programa “Live no Kubico” da Televisão Pública de Angola que alguns cantores e bandas estão a ter a oportunidade de realizar concertos aos Domingos, um projecto bastante aplaudido pelo público, mas também pelos artistas.

Lives surgem como alternativas na televisão e nas redes sociais

Nesta óptica, o país realizou os primeiros concertos solidários e espectáculos online, pagos para “ajudar artistas e criadores de conteúdos a rentabilizarem os seus trabalhos digitais”, devido à Covid-19. Entretanto, o primeiro concerto nesta plataforma pago em Angola, por usuários da Internet, foi realizado em 30 de Maio e os três últimos decorreram no último fimde-semana. O mecanismo visa “atingir essas pessoas que se enquadram nesse grupo e permitir que gere nelas uma facilidade e necessidade de consumir material pago feito em Angola, desde concertos, palestrantes e outros conteúdos online”.

Fusão de ministérios Um outro facto marcante neste ano de 2020, foi o da redução do número de ministérios e reorganização da Administração Pública para adequar a estrutura do Estado à limitação orgânica, de modo a fazer face à crise orçamental. A decisão da nova estrutura dos órgãos auxiliares do Titular do Poder Executivo, teve como objectivo modernizar, racionalizar a Administração Central e melhorar o grau de efi ciência e efi cácia na prestação de serviço ao cidadão. Nesta alteração, o Presidente da República e Titular do Poder Executivo, exonerou Carolina Cerqueira, do cargo de ministra da Cultura para assumir o cargo de ministra para a Área Social.

Em sua substituição, o Presidente da República, João Lourenço nomeou Maria da Piedade de Jesus, até então, secretária de Estado da Cultura. Meses depois, já com a fusão ministerial, João Lourenço nomeou Adjany Costa para assumir o super Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente. Na tomada de posse, a bióloga considerou ser a hora de deixar de olhar para a conservação como paisagens, considerando que esta deve ser vista na perspectiva da integração das comunidades locais, como uma componente do turismo.

Adjany Costa, que por sinal foi a mais jovem ministra, aos 29 anos, é uma das vencedoras do Prémio Jovens Campeões da Terra, atribuído pela Organização das Nações Unidas (ONU) a ambientalistas com idades entre os 18 e os 30 anos de 2019. Foi directora do projecto da National Geographic Okavango-Zambeze, onde durante quatro meses, percorreu cerca de 2,5 mil quilómetros, passando por Angola, Namíbia e Botswana. A Bacia do Rio Okavango é um ecossistema vital que faz parte da maior zona húmida de água doce do Sul de África.

Mais de um milhão de pessoas dependem desta bacia partilhada por Angola, Namíbia e Botswana. Exonerada muito recentemente, o Presidente João Lourenço, nomeou para o cargo, Jomo Fortunato, que na tomada de posse manifestou-se disponível a trabalhar em equipa com os diferentes departamentos ministeriais para a gestão do seu ministério.