É de hoje… Vai mesmo avançar

Há muito que se falava na possibilidade do surgimento de um metro de superfície em Angola, concretamente na sua capital, Luanda. Dado ao fracasso de muitos outros projectos apresentados com pompa e circunstância pelas autoridades, entre os quais o moribundo BRT, havia pouca crença de que se fosse mesmo avançar com este importante investimento, que deverá custar mais de USD 2 mil milhões. Ontem, ao meio-dia, começou a circular um prospecto daquilo que será o metro de superfície de Luanda, com a chancela do Executivo angolano, que prevê funcionar no ano de 2022.

Quando se aventou inicialmente esta hipótese, algumas correntes atiraram-se contra o projecto, apelidando-o de exorbitante. Houve quem também tivesse dito que o dinheiro a ser gasto nesta empreitada deveria servir para se melhorar o abastecimento de água, energia eléctrica e ainda reforçar outros sectores. Não há dúvidas de que o país padece de vários males, alguns dos quais deveriam merecer atenção redobrada.

Mas, també, não se pode descurar que o problema da circulação das pessoas tem sido um dos principais calcanhares de Aquiles do Executivo. Há dias, numa brincadeira, alguém perguntava onde vão os autocarros que todos os anos são disponibilizados pelo Executivo para algumas transportadoras. Ainda recentemente, por causa das limitações causadas pela pandemia, foram entregues mais alguns, mas nem com isso se consegue desafogar o aperto que todos os dias observamos.

O surgimento do metro ajudará a melhorar a circulação das pessoas e com isso haverá outras incidências na vida dos luandenses e não só. Longe do crónico problema do stress por que passamos sempre que nos encontramos nos engarrafamentos, o trânsito caótico tem outras consequências que se fossem mensuradas, um dia, ainda nos assustaríamos.

Desde a falta de produtividade à redução de receitas em determinadas instituições, são inúmeros os problemas que directa ou indirectamente vivemos por cada minuto ou hora a mais em que ficamos pregados ao volante, no banco do táxi ou ainda com mercadorias ‘retidas’ numa estrada. Por isso, bem-haja ao metro e que as obras arranquem em 2021. Um ano em que esperamos que seja de muitas realizações para todos.